

Um mês e um dia antes da deflagração de uma operação que investiga um suposto esquema de corrupção no sistema de iluminação pública, a Prefeitura de Campo Grande, sob o comando da prefeita Adriane Lopes (PP), renovou o contrato com uma das empresas citadas no inquérito: a Construtora JLC Ltda.
A renovação para a locação de máquinas pesadas, caminhões e equipamentos foi publicada no Diário Oficial do município em 18 de novembro, pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). O novo termo tem vigência de 14 de dezembro de 2025 a 13 de dezembro de 2026.
Pouco mais de 30 dias depois, em 19 de dezembro, o Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS) iniciou a Operação "Apagar das Luzes". A investigação apura a atuação de uma organização criminosa, fraude em licitações e peculato (desvio de dinheiro público) em contratos financiados com recursos da Contribuição para Iluminação Pública (COSIP).
De acordo com as investigações do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o esquema envolvia agentes públicos e empresas privadas, incluindo a Construtora JLC Ltda. e a Construtora B&C Ltda. O grupo criminoso operava por meio de superfaturamento e direcionamento de licitações para a manutenção do sistema de iluminação da capital. As apurações também identificaram a existência de outro grupo que utilizava empresas de fachada para desviar verbas públicas.
Apesar da operação, a prefeitura declarou que não há previsão de rompimento dos contratos. O secretário municipal da Sisep, Marcelo Miglioli, afirmou no dia da operação que os serviços seguem normalmente, pois não há condenações judiciais que autorizem a suspensão. Ele destacou que a iluminação pública é um serviço essencial e que os atuais contratos, distribuídos entre três empresas, são anuais e têm origem em uma licitação de 2021, podendo ser renovados por até cinco anos conforme a lei.
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