

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), impôs mais um revés ao governo ao decidir frear a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6×1 de trabalho. A medida, que vinha ganhando força nas redes sociais e na opinião pública, agora enfrenta um obstáculo político significativo vindo justamente de quem comanda os ritos do Legislativo.
A justificativa de Alcolumbre é dupla e reveladora. Em primeiro lugar, ele citou a proximidade do período eleitoral como motivo para cautela, demonstrando preocupação com os impactos políticos de uma votação apressada sobre um tema que mexe diretamente na vida de milhões de trabalhadores e empregadores. Em segundo lugar, o senador adotou a chamada estratégia do “tudo ou nada”: ao afirmar que “ou voto todos, ou não voto nenhum”, Alcolumbre condicionou a análise da PEC da escala 6×1 ao avanço de outras pautas de interesse do Senado — uma clara tentativa de desidratar a pressão por uma votação célere.
Mais do que um simples adiamento, a sinalização do presidente do Senado aponta para uma tramitação mais lenta e criteriosa, com a promessa de “melhorar” o texto. Nos bastidores, a interpretação é que Alcolumbre quer evitar que a Casa seja atropelada pelo ativismo legislativo vindo da Câmara ou por movimentos populares, impondo o ritmo e as negociações típicas do velho jogo político.
Para o governo, que via na PEC um potencial trunfo eleitoral e social, o movimento de Alcolumbre representa um novo revés na já difícil relação com o Legislativo. Sem o apoio explícito do comando do Senado, a proposta corre o risco de esfriar ou ser profundamente modificada antes de qualquer votação em plenário.
Assim, o que parecia uma agenda urgente para muitos trabalhadores se transforma, nas mãos de Alcolumbre, em mais uma moeda de troca política. O futuro da escala 6×1, por ora, dependerá menos da pressão das ruas e mais do compasso — e dos cálculos eleitorais — de quem dita os tempos do Senado.
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