

Após cinco dias de atraso, o Consórcio Guaicurus iniciou o pagamento do adiantamento salarial de seus funcionários na tarde desta terça-feira (25). O atraso ocorreu mesmo a empresa possuindo um contrato bilionário com a Prefeitura de Campo Grande, válido até 2042, e tendo recebido repasses municipais.
A confirmação foi dada por Demétrio Freitas, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano (STTCU). Apeso do pagamento, os funcionários agora temem pelo atraso da primeira parcela do 13º salário, com vencimento para sexta-feira (28). O sindicato não descarta a possibilidade de novas paralisações caso o pagamento não seja efetuado.
Este não é um caso isolado. No mês anterior, a empresa também descumpriu o acordo de pagamento do vale, um valor que representa cerca de 8% dos seus ganhos mensais. Um relatório de perícia revelou que, entre 2013 e 2024, o consórcio faturou aproximadamente R$ 1,8 bilhão.
Além dos atrasos com os funcionários, a concessionária também deixa de pagar a Prefeitura. Desde 2022, a empresa é isenta do Imposto sobre Serviços (ISS), uma benesse que já fez o município deixar de arrecadar quase R$ 7 milhões. A previsão para 2025 é de uma perda de arrecadação de cerca de R$ 9,6 milhões.
“Greve Fantasma” – A situação se complica ainda mais com a suspeita de uma “greve fake” em outubro. Após uma paralisação de três horas que paralisou os terminais, a Prefeitura adiantou R$ 2,3 milhões ao consórcio. Denúncias de ex-motoristas, no entanto, alegam que a paralisação foi uma manobra da empresa para pressionar por mais recursos, já que mesmo com o repasse, o pagamento aos funcionários continuou atrasado. O consórcio só quitou a dívida após sete dias e a divulgação das denúncias, evitando uma nova greve marcada para 27 de outubro.
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