

Motoristas em atividade e ex-funcionários do Consórcio Guaicurus fizeram uma grave acusação: as recentes paralisações no transporte coletivo da capital não passariam de um esquema encenado pelos próprios empresários. De acordo com os relatos, o suposto movimento de paralisação seria, na realidade, uma manobra de pressão para liberação de verbas públicas, contando com a conivência de sindicalistas e possíveis representantes do poder público.
A farsa, descrita como uma forma de “extorsão velada”, é detalhada por um motorista que prefere não se identificar. “Um movimento legítimo a gente fica sabendo antes. Mas aqui, a gente chega pra trabalhar e é avisado pelos chefes, já na garagem, que é pra segurar os carros. Se isso não é armação, eu não sei o que é”, revela.
A suspeita ganha contornos concretos com um suposto áudio gravado na garagem na manhã da paralisação. De acordo com a denúncia, um encarregado teria dado a ordem explícita: “Não é pra ninguém sair. Segura os carros aqui até segunda ordem, porque eles querem primeiro dar tempo pra imprensa. Deixa eles falarem do caos, daí a gente volta. Isso aí é só pra liberarem uma verba que tá presa”.
O roteiro da suposta encenação se desenrolou com precisão: o dia começou com cerca de uma hora sem ônibus nas ruas, criando o cenário de caos necessário. Imediatamente após, espalhou-se a versão pública de que a paralisação era uma decisão legítima dos motoristas, revoltados com o atraso do vale.
Para um ex-funcionário que já integrou a diretoria do STTCU, a manobra é um recurso cínicamente calculado. “É igual uma extorsão velada. Mas a gente acha que tá todo mundo envolvido. Parece que eles combinam entre eles pra fazer um auê e ter clima pra soltarem mais grana”, resume, pintando um quadro sombrio de conluio entre as partes que deveriam se opor.
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