

A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, está se revelando um retrato melancólico da irrelevância internacional do Brasil sob seu comando. Em mais um gesto de isolamento diplomático, o governo brasileiro rejeitou a maioria dos documentos oficiais do fórum — três dos cinco textos divulgados pela presidência francesa foram recusados porque, segundo Brasília, estavam "moldados para não desagradar a Trump" . A alegação soa como desculpa de quem não tem força para influenciar a pauta e prefere bater a porta.
Dos cinco documentos, o Brasil aderiu apenas à declaração sobre combate ao câncer e à de combate ao narcotráfico — esta última com ressalvas . O restante foi rejeitado: nada de desenvolvimento, nada de saúde global, nada de migração. A justificativa? Os textos seriam "despolitizados" e omitiram temas centrais como mudança climática, reforma multilateral e o papel da OMS para não irritar Washington . Ou seja: Lula prefere não assinar a enfrentar o debate com Trump.
E onde fica o protagonismo do "Sul Global" tantas vezes invocado pelo petista? Na prática, virou retórica vazia. A declaração sobre parcerias para o desenvolvimento foi rejeitada porque o governo a considera "insuficiente" e focada em "capital privado" . Mas é exatamente esse o modelo que o mundo real adota. Lula quer dinheiro público, ajuda internacional, uma espécie de colonialismo às avessas — e não tem força para impor sua visão.
O discurso de Lula na sessão ampliada, em que defendeu cooperação internacional com "respeito à soberania", foi uma crítica velada a Trump, mas soou como choro de perdedor . Enquanto o presidente americano negociava um acordo de paz com o Irã e pressionava a Europa por mais apoio militar, o brasileiro repetia bordões esquerdistas . O mundo não para para ouvir as lições de moral de um líder que sequer consegue extrair uma reunião bilateral da Casa Branca.
Imagens registraram o momento constrangedor: na preparação para a foto oficial do G7, Trump passa por Lula sem sequer cumprimentá-lo . O presidente brasileiro, ao lado de Macron, é ignorado pelo líder americano, que segue conversando com outros chefes de Estado. A assessoria de Lula classificou a questão como "irrelevante" . Irrelevante? Talvez para quem já se acostumou a ser tratado como coadjuvante.
Não foi pedida reunião bilateral com Trump — e o governo admite que "não há o que negociar num encontro formal" . Enquanto isso, o presidente francês, Emmanuel Macron, que convidou Lula, tem na pauta as guerras no Irã e na Ucrânia, a crise da relação transatlântica e o isolacionismo americano . O Brasil? Ficou escanteado para o segundo plano, como alertaram especialistas ouvidos pela BBC .
Lula erra ao apostar num discurso ultrapassado de confronto ao "unilateralismo" e ao "protecionismo", enquanto o mundo se reorganiza em novos blocos de poder . A recusa a assinar a declaração sobre minerais críticos — por considerá-la "extrativista e geopolítica" — é um tiro no pé: o Brasil tem potencial imenso nessa área, mas prefere ficar de fora da coalizão ocidental contra a influência chinesa .
A viagem a Genebra para encontrar o secretário-geral da Interpol, em meio à tensão com os EUA pela classificação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas, mostra o desespero do governo: não consegue dialogar com Washington, então busca abrigo em instituições menores .
Enquanto isso, Lula volta para casa com o rabo entre as pernas, sem avanços no veto à carne brasileira pela UE, sem reunião com Trump e com a imagem de um líder que não consegue impor sua agenda nem mesmo em um fórum onde está sentado à mesa como convidado. O "compromisso com a paz, o multilateralismo e o desenvolvimento sustentável" que ele postou nas redes sociais ficou apenas no discurso .
É assim que se conduz a política externa de um país que já foi referência em negociações comerciais e articulação internacional? Lula, ao rejeitar os documentos do G7, não mostra força — mostra fraqueza. Não defende soberania — defende o isolamento. E, como num déjà-vu dos piores momentos de seu terceiro mandato, transforma o Brasil em um país que prefere ficar de fora a jogar o jogo da política real.
Mín. 17° Máx. 23°





