

A mais recente pesquisa Quaest trouxe um número que já ecoa como um alarme nos corredores do Planalto: a desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 48%. O índice, que se aproxima perigosamente da metade da população, representa não apenas um empate técnico com a aprovação, mas um movimento de erosão da confiança que merece ser analisado com cuidado.
O dado é especialmente significativo porque a Quaest é uma das pesquisadoras que, ao longo de 2023 e 2024, vinha registrando relativa estabilidade na avaliação positiva do governo. Agora, o cenário mudou. A desaprovação cresce em diferentes segmentos da sociedade: entre os mais pobres, tradicional base de sustentação de Lula, e também entre eleitores que antes se declaravam indecisos ou moderados.
Analistas apontam múltiplas causas para essa virada de humor. A economia, sempre o termômetro mais sensível, apresenta sinais contraditórios: desemprego em queda, mas inflação de alimentos corroendo o poder de compra das famílias. O câmbio volátil e os juros ainda elevados desgastam a percepção de competência econômica do governo, mesmo com indicadores macroeconômicos positivos em outros aspectos.
Além disso, o desgaste político acumulado ao longo dos últimos meses — com embates entre os Poderes, promessas não cumpridas na articulação congressual e a percepção de que a "nova política" anunciada na campanha deu lugar ao velho toma-lá-dá-cá — também contribui para a frustração de parte do eleitorado que esperava mais agilidade e transformações concretas.
A pesquisa Quaest também revela um fenômeno preocupante para o governo: a polarização, que antes garantia a Lula um piso mínimo de aprovação em torno de 40%, agora parece estar ampliando o espaço para a rejeição. Eleitores que votaram contra Lula em 2022 consolidam sua posição crítica, enquanto parte dos que votaram a favor começa a demonstrar insatisfação.
Para o Planalto, o recado é claro: não há mais lua de mel. O terceiro ano de mandato é historicamente o mais difícil para presidentes, e Lula enfrenta agora a combinação perigosa de expectativas elevadas, orçamento apertado e uma oposição que respira mais oxigenada a cada número negativo.
Resta saber como o governo reagirá. As opções vão desde uma reforma ministerial para oxigenar a comunicação e a articulação política até uma guinada mais à esquerda, para mobilizar sua base fiel, ou uma aproximação maior do centro, para tentar reconquistar eleitores moderados. O que os 48% de desaprovação mostram, no fim das contas, é que o tempo para decisões já não é mais tão generoso quanto antes. O sinal amarelo está aceso — e o governo terá que mostrar se sabe fazer a curva.
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