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Derrotas de Lula no Congresso expõem avanço do Centrão e crise na articulação política

Derrotas de Lula no Congresso expõem avanço do Centrão e crise na articulação política

05/05/2026 às 10h52
Por: Redação
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Vetos derrubados escancaram ofensiva do Centrão que aposta no enfraquecimento do governo para ampliar poder sobre emendas e nomeações.
Vetos derrubados escancaram ofensiva do Centrão que aposta no enfraquecimento do governo para ampliar poder sobre emendas e nomeações.

As sucessivas derrotas do governo Lula no Congresso Nacional nos primeiros meses de 2026 escancararam um movimento estratégico do Centrão: apostar no enfraquecimento progressivo da capacidade de articulação do Planalto. O principal termômetro dessa ofensiva foi a derrubada de vetos presidenciais — especialmente na área orçamentária — e a reimposição, pelo Legislativo, de dispositivos que ampliam o controle do Centrão sobre a distribuição de emendas parlamentares.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viu seu poder de veto ser contestado repetidamente, em votações que expuseram a fragilidade da base aliada e o crescimento da influência de partidos como Republicanos, PP e União Brasil. A mensagem enviada pelo Centrão é clara: sem ceder mais espaço na Esplanada e sem garantir recursos vultosos para as bases eleitorais dos parlamentares, o governo tende a sofrer novas derrotas — e a perder capacidade de governabilidade.

O ponto mais crítico da crise veio à tona quando a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou abertamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Em declaração que repercutiu nos bastidores do Congresso, Gleisi afirmou que o governo enfrenta um “inimigo dentro de casa”, em referência direta à postura de Alcolumbre, que tem sido acusado pelo Planalto de conduzir votações de interesse do Centrão sem alinhamento com o Executivo.

A fala da ministra escancarou o mal-estar entre o governo e o comando do Senado. Alcolumbre, que no passado já foi aliado de Lula, passou a atuar como fiador de demandas do Centrão por mais poder sobre o Orçamento, especialmente no que diz respeito às emendas de comissão e às chamadas “emendas Pix”, de execução praticamente automática. Para o bloco central, fragilizar Lula não é um fim em si mesmo, mas uma estratégia para forçar o Planalto a aceitar uma redivisão de poder que favoreça os partidos de centro e centro-direita.

Nos bastidores, líderes do Centrão avaliam que Lula sai desgastado de cada veto derrubado. A percepção é de que o governo, ao perder força no Legislativo, tem duas opções: ceder mais cargos e recursos ou assistir ao avanço de pautas contrárias aos seus interesses, inclusive com risco de obstrução de projetos prioritários. Até o momento, a aposta do Centrão parece estar funcionando — e a fala de Gleisi, ao admitir publicamente a existência de um inimigo interno, só reforça o diagnóstico de que o governo Lula enfrenta sua maior crise de articulação política desde o início do mandato.

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