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Delação de Vorcaro pode prever devolução de R$ 40 bilhões aos cofres públicos em até 10 anos

Delação de Vorcaro pode prever devolução de R$ 40 bilhões aos cofres públicos em até 10 anos

13/04/2026 às 12h54
Por: Redação
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Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.

A delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, pode incluir um plano de devolução de R$ 40 bilhões aos cofres públicos ao longo de uma década, segundo informações que circulam nos bastidores das negociações com a força-tarefa da Lava Jato. O valor, caso confirmado, superaria todos os acordos de leniência já firmados na história da operação .

No entanto, a proposta enfrenta resistência significativa dentro do próprio Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro André Mendonça, relator do caso na Corte, tem sinalizado a interlocutores que dará preferência a um eventual acordo que preveja a devolução de recursos à vista ou em um curtíssimo prazo, ainda que em menor volume, em vez de um montante vultoso com calendário dilatado de pagamento .

A mensagem que Mendonça tem passado, segundo relatos colhidos pelo Valor Econômico, é a de que conhece os riscos a que investigações como essa estão expostas — incluindo a possibilidade de acordos serem anulados por integrantes do STF anos depois, como ocorreu em parte dos acordos da Lava Jato. "Para autoridades que acompanham o caso Master de perto, já estariam ocorrendo sinalizações de ministros do STF de que haveria espaço para tentativas nesse sentido mais à frente", aponta a reportagem .

Ceticismo sobre a cifra bilionária

Nos bastidores, há ceticismo em relação à proposta apresentada pelas defesas. A quantia de R$ 40 bilhões citada durante as negociações gerou dúvidas, pois nem investigadores nem o Supremo saberiam dizer, até o momento, de onde seria possível vir tanto dinheiro. Também há desconfianças sobre a origem da soma, especialmente levando em conta suspeitas de que o ex-banqueiro é responsável por um esquema de emissão de carteiras de crédito sem lastro .

O valor mencionado se alinha, curiosamente, ao rombo deixado pelo Banco Master no mercado financeiro — um buraco que, segundo decisões judiciais e reportagens, alcança aproximadamente R$ 40 bilhões. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) tem sangrado para cobrir os prejuízos, que já ultrapassam R$ 50 bilhões considerando outros bancos do grupo, como Master SA, Master de Investimentos, Master Múltiplo, Will Bank e Pleno .

Movimentações nos bastidores

A percepção de fontes a par das negociações é que Vorcaro estaria tentando acelerar as conversas porque não teria pessoalmente o controle total da administração desses recursos. A defesa do ex-banqueiro, agora comandada pelo advogado José Luís Oliveira Lima (Juca), que atuou em delações da Lava Jato, vem preparando uma proposta com dezenas de anexos que deve ser apresentada em breve à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) .

Vorcaro assinou o termo de confidencialidade para delatar em 19 de março de 2026, o primeiro passo formal para as tratativas. Desde então, foi transferido por ordem de Mendonça do presídio federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, onde ocupa a mesma cela em que Jair Bolsonaro ficou preso — uma mudança interpretada como sinal de avanço nas negociações .

O dilema do ressarcimento

Estimativas indicam que Vorcaro ainda manteria bilhões distribuídos em fundos de investimento no Brasil e no exterior, mesmo após a liquidação do banco. Mais de R$ 10 bilhões permaneceriam fora do alcance direto das autoridades, segundo apurações recentes. Ao indicar a localização desses ativos, Vorcaro permitiria o bloqueio dos valores — etapa considerada essencial para viabilizar qualquer negociação .

No entanto, a dispersão do patrimônio já era motivo de preocupação desde a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025, e se intensificou durante o período em que ele permaneceu solto. A Polícia Federal descobriu, por exemplo, que Vorcaro ocultou R$ 2,24 bilhões na conta de seu pai junto à empresa CBSF DTVM (conhecida como REAG), descrita pelo ministro Mendonça como uma empresa "conhecida por lavar dinheiro das mais perigosas organizações criminosas do Brasil" .

O que está em jogo

Caso o acordo seja homologado, a delação de Vorcaro pode ter efeitos devastadores sobre o mundo político e empresarial. Mensagens encontradas nos celulares do ex-banqueiro sugerem laços com várias autoridades, que vão de políticos a ministros do STF. O próprio ministro Alexandre de Moraes teve seu nome citado em reportagens sobre conversas com Vorcaro e contratos do escritório de sua esposa com o Banco Master .

A expectativa é que Mendonça não homologue as tratativas se elas não avançarem o suficiente em relação ao material já coletado. O recado do ministro a investigadores e advogados, segundo relatos, é que a investigação não deve poupar ninguém — nem mesmo ministros — desde que sejam apresentadas provas contundentes de irregularidades .

Enquanto isso, os cofres públicos e as vítimas do esquema aguardam — com cautela — o desfecho de uma das maiores negociações de ressarcimento da história do país.

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