

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) afirmou que as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, com menções ao ministro Dias Toffoli apenas confirmam um cenário já esperado. Para o parlamentar, o desgaste institucional do Supremo Tribunal Federal (STF) é consequência direta da inércia do Legislativo.
“O impeachment de ministros do STF já deveria estar em debate há tempos, diante de decisões polêmicas que vêm acumulando desgaste institucional e da sensação da população de que está ‘engolindo sapo’ sem mecanismos efetivos de responsabilização, muito em razão de um Senado que se mostra prostrado”, declarou Nogueira ao Jornal Midiamax.
O deputado defendeu apuração rigorosa e transparente do conteúdo revelado. “Estamos falando de um ministro da mais alta Corte do país, e qualquer menção a pagamentos, participação societária oculta ou vínculo patrimonial com partes potencialmente interessadas em decisões judiciais precisa ser esclarecida com total transparência. A gravidade do que foi divulgado exige apuração rigorosa, independente e célere”, afirmou.
Em vídeo, Nogueira dirigiu-se diretamente ao ministro: “É, ministro, a coisa tá chegando, a água tá batendo. Essa semana será de grandes revelações para o Brasil todo”.
A Polícia Federal protocolou na noite de quarta-feira (11) um pedido formal de suspeição do ministro Dias Toffoli junto à presidência do STF. A medida busca afastá-lo da relatoria do inquérito que envolve o Banco Master, após perícias nos celulares de Daniel Vorcaro revelarem diálogos e menções diretas ao magistrado.
Como Toffoli era o relator natural do caso, a cúpula da PF optou por encaminhar o material ao ministro Edson Fachin, presidente da Corte, a quem cabe processar pedidos de suspeição contra membros do Tribunal. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reuniu-se com Fachin na segunda-feira para tratar do fluxo processual.
O pedido amplia as suspeitas que já recaíam sobre a atuação de Toffoli. Investigações anteriores apontaram que os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, negociaram participações milionárias no resort Tayaya, no Paraná, com um fundo da Reag Investimentos — empresa investigada por conexões com fundos do Banco Master e suspeita de sonegação bilionária no setor de combustíveis.
Documentos da Junta Comercial indicam que os irmãos do ministro detinham R$ 6,77 milhões em participações societárias em empresas ligadas ao empreendimento. A sede da Maridt Participações, que concentrava parte dessas ações, foi registrada na residência de José Eugênio em Marília (SP), embora sua esposa tenha declarado desconhecer o uso do imóvel para fins empresariais ou qualquer vínculo com o resort.
Em novembro de 2025, Toffoli viajou no mesmo jatinho que um advogado ligado ao Banco Master para assistir à final da Libertadores, no Peru. Desde então, sua conduta no caso vem sendo alvo de questionamentos.
Em nota, o gabinete de Dias Toffoli classificou o pedido da Polícia Federal como baseado em “ilações”. A defesa do ministro sustenta que a PF não possui legitimidade jurídica para requerer a suspeição, uma vez que não é parte no processo, conforme prevê o artigo 145 do Código de Processo Civil.
A manifestação oficial de Toffoli será encaminhada formalmente ao ministro Edson Fachin. A defesa de Daniel Vorcaro optou por não se manifestar. Até o momento, não houve posicionamento oficial da presidência do STF.
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