

No programa Última Análise, exibido nesta segunda-feira (10) na Gazeta do Povo, os debatedores mergulharam nas repercussões da invasão ao celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Polícia Federal conseguiu quebrar a criptografia do aparelho e agora tem acesso a mensagens e documentos sigilosos, que devem ser enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O avanço das investigações acendeu um alerta nos corredores do poder, especialmente entre autoridades que temem ter suas conexões expostas.
O ex-procurador Deltan Dallagnol afirmou que o material apreendido tem potencial para atingir ministros da Corte. “É um volume imenso de informação. Isso tem tirado o sono de Brasília”, declarou, com tom irônico.
Nos bastidores, o ministro Dias Toffoli tenta manter o controle sobre o processo, enquanto setores da oposição articulam uma ofensiva. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) pediu a quebra do sigilo de uma empresa pertencente aos irmãos do magistrado, suspeita de atuar como fachada para lavagem de dinheiro e por suposto recebimento de valores ligados ao Banco Master, disfarçados de consultorias.
O vereador Guilherme Kilter foi mais incisivo: “Toffoli está se esforçando para manter o caso sob sigilo, chegando a interferir em depoimentos. A pergunta que fica é: por quê? Qual o seu real interesse nisso?”
Discurso de Lula gera apreensão a meses da eleição
Ainda durante o programa, os analistas discutiram a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do cenário eleitoral. Em evento em Salvador que celebrou os 46 anos do PT, o pré-candidato à reeleição afirmou que o partido “não está com essa bola toda” para ignorar articulações regionais. A declaração foi interpretada como um sinal de fragilidade política.
Para a advogada Fabiana Barroso, o tom do presidente mudou. “É um governante sem povo nas ruas. Por isso está mais agressivo, mais rabugento. Até em Salvador, onde teria tudo para lotar, o público era pequeno”, comentou.
Lula também projetou um ambiente belicoso para as urnas: “A eleição será uma guerra e temos de vencer com alto nível.” Barroso criticou a retórica. “De novo o ‘nós contra eles’. Lula insiste em dividir, sem apresentar propostas ou entregas”, afirmou.
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