

A descoberta de diálogos e referências a pagamentos no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, transformou o inquérito sobre a instituição financeira na mais grave crise institucional do Supremo Tribunal Federal dos últimos anos. O ministro Dias Toffoli, relator do caso, é acusado de manter vínculos empresariais e contatos pessoais com o investigado — relação que, para a Polícia Federal e parlamentares, compromete sua imparcialidade.
A perícia no aparelho de Vorcaro, cujos resultados foram entregues ao presidente do STF, Edson Fachin, identificou registros de ligações entre o banqueiro e Toffoli, um convite formal para a festa de aniversário do ministro e conversas nas quais Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, mencionam pagamentos ao Resort Tayayá, empreendimento ligado à família Toffoli. Documentos comprovam que a Maridt Participações, empresa da qual Toffoli admitiu ser sócio ao lado dos irmãos, recebeu cerca de R$ 20 milhões de um fundo vinculado ao Banco Master — o mesmo que adquiriu 33% do resort. O ministro afirma que os valores foram declarados, que a transação foi regular e que se desligou da sociedade antes de ser sorteado relator do caso.
Investigadores apontam que Toffoli conduziu o inquérito de forma atípica. Determinou que as provas digitais ficassem sob custódia do STF, fora do alcance da PF, e restringiu a perícia dos celulares a quatro agentes indicados por seu gabinete. Reduziu drasticamente prazos para depoimentos e elaborou pessoalmente o roteiro de perguntas, função tradicionalmente policial. A PF reagiu com irritação quando o ministro a acusou de inércia, rebatendo que as diligências já haviam sido solicitadas à Justiça desde outubro de 2025.
No Congresso, o senador Alessandro Vieira acionou a Procuradoria-Geral da República para formalizar a suspeição de Toffoli, alegando ofensa ao devido processo legal e à moralidade administrativa. O partido Novo prepara novo pedido de impeachment contra o ministro, e parlamentares prometem protocolar novas representações a cada fato grave revelado. A cúpula do Legislativo, no entanto, adota cautela para evitar um confronto institucional prematuro.
A PGR, que já havia recebido pedido semelhante sem dar andamento, mantém-se em silêncio. A decisão sobre o afastamento de Toffoli caberá ao plenário do STF, em sessão secreta. O tribunal nunca afastou um ministro que não tenha se declarado voluntariamente impedido. Enquanto Fachin avalia os próximos passos, o celular de Vorcaro segue produzindo revelações. O que está em jogo agora não é apenas o futuro do inquérito, mas a credibilidade de uma Corte que, pela primeira vez, precisa julgar um de seus membros com base em provas que ele próprio tentou controlar.
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