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Estratégia de Vorcaro é postergar acordo até que STF o "salve" de sanções severas

Estratégia de Vorcaro é postergar acordo até que STF o "salve" de sanções severas

28/05/2026 às 09h55
Por: Redação
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Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.

Envolvido em um dos maiores escândalos financeiros das últimas décadas, o empresário André Esteves Vorcaro, do Grupo Master, tenta ampliar o prazo para devolver bilhões de reais aos cofres públicos como parte de um acordo de delação premiada em negociação com o Ministério Público Federal. A estratégia, segundo fontes próximas às investigações, é ganhar tempo até que o Supremo Tribunal Federal (STF) se pronuncie sobre recursos que podem alterar os rumos do caso – e, potencialmente, livrá-lo de devolver parte expressiva dos valores e de cumprir sanções previstas em acordos anteriores.

O chamado Caso Master envolve supostas irregularidades na gestão de recursos de fundos de pensão, operações de crédito duvidosas e suspeitas de pagamento de propina a agentes públicos. Vorcaro, que está no centro das apurações, negocia uma delação que prevê a revelação de nomes de políticos e servidores que teriam se beneficiado do esquema. Em troca, o empresário busca reduzir penalidades e evitar uma condenação criminal que poderia inviabilizar seus negócios.

A estratégia de postergar a devolução dos valores, no entanto, tem sido criticada por procuradores da República, que apontam "manobras protelatórias" e falta de cooperação efetiva por parte do delator. Para os investigadores, o empresário tenta usar decisões liminares e recursos no STF para criar obstáculos processuais que atrasem o cumprimento das obrigações financeiras.

A expectativa no Palácio do Planalto e nos bastidores do Judiciário é de que o STF defina, nos próximos meses, teses importantes sobre os limites da delação premiada e sobre a possibilidade de revisão de acordos já firmados. Caso as decisões sejam favoráveis a Vorcaro, ele pode conseguir reduzir drasticamente o montante a ser devolvido – estimado inicialmente em mais de R$ 5 bilhões – e escapar de sanções como a proibição de contratar com o poder público e a perda de controle de empresas do grupo.

Enquanto isso, o caso segue sob sigilo na Justiça Federal, mas já provoca reações nos meios políticos e financeiros. Para analistas, a delação de Vorcaro tem potencial de abalar estruturas políticas em Brasília, especialmente se confirmados os nomes de parlamentares e ex-ministros que teriam recebido vantagens ilícitas.

Em nota, a defesa do empresário afirmou que "colabora integralmente com as investigações" e que "as tratativas sobre prazos e valores seguem em conformidade com a lei". O Grupo Master, por sua vez, declarou que "repudia qualquer ilicitude" e que "confia na Justiça para o esclarecimento dos fatos".

O desfecho do caso dependerá, em grande medida, do compasso do STF e da disposição do empresário em, de fato, abrir o jogo sobre o esquema investigado. Até lá, a tática de esperar uma "salvação" pela Corte máxima continua sendo a principal aposta de Vorcaro.

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