

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) subiu o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o Brasil registrar, em 2025, a segunda pior colocação de sua história no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), da Transparência Internacional. Com apenas 35 pontos em uma escala que vai até 100, o país ficou na 107ª posição entre 182 nações avaliadas — abaixo da média global e do continente americano, que marcaram 42 pontos [dados do levantamento].
Em publicação contundente, a senadora destacou o que chamou de "silêncio ensurdecedor" do chefe do Executivo: "Em 230 discursos feitos em 2025, Lula mencionou apenas 13 vezes a palavra corrupção — a maioria das vezes para ironizar denúncias. Quem destaca esse silêncio do presidente?", questionou.
O ranking que envergonha o país
O IPC mede anualmente a percepção de especialistas e empresários sobre a corrupção no setor público. A nota brasileira permanece estagnada em 35 pontos, repetindo o desempenho pífio do ano anterior. O resultado coloca o Brasil ao lado de nações como Argélia, Ucrânia e Serra Leoa, e distante de potências como Dinamarca (90 pontos), Nova Zelândia (88) e Finlândia (87).
Tereza Cristina citou textualmente o diagnóstico da ONG internacional: "A Transparência afirma ainda que o Brasil 'chocou o mundo com casos de macrocorrupção em escala inédita, como INSS e Master (CPIs que defendo!!), impunidade generalizada mesmo para corruptos confessos e condutas desmoralizantes de ministros do próprio STF'. O nosso Brasil não merece manchetes tão vergonhosas!", disparou.

Os escândalos que agravam o cenário
O relatório da Transparência Internacional aponta que o aumento das emendas parlamentares para R$ 60 bilhões — instrumento cada vez mais utilizado pelo governo para garantir governabilidade —, somado às denúncias envolvendo fraudes no INSS e as suspeitas sobre o Banco Master, contribuíram decisivamente para a percepção negativa do país [informações do relatório].
No Congresso, a CPI do INSS já identificou mais de 250 mil contratos de empréstimos consignados concedidos de forma irregular pelo Banco Master, muitos deles sem autorização de aposentados e pensionistas. O empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição, chegou a ser preso na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e hoje cumpre medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica.
A CPI também enfrenta entraves judiciais: o ministro Dias Toffoli, do STF, suspendeu o acesso da comissão às quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de Vorcaro. Os dados estão retidos na Presidência do Senado desde dezembro, aguardando nova decisão da Corte.Parlamentares da oposição acionaram o ministro André Mendonça para reaver as provas, classificando a retenção como "blindagem inaceitável".
O contraponto do governo
Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem rejeitado qualquer tentativa de politização das investigações. Em entrevista recente, afirmou que o governo garantiu "autonomia total" à Polícia Federal, ao Ministério Público e ao Banco Central para apurar as irregularidades. "Se houve crime, é preciso identificar o CPF e punir. Isso fortalece as instituições", declarou.
A fala de Haddad, no entanto, não amenizou as críticas da oposição. Para Tereza Cristina, o silêncio de Lula diante de escândalos sucessivos é sintomático. "Um presidente que só fala de corrupção para zombar das denúncias não tem autoridade moral para conduzir o país. O Brasil merece mais do que manchetes que nos envergonham perante o mundo", concluiu a senadora.
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