

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, sugeriu que interesses dos Estados Unidos possam estar por trás da operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. “Por trás disso tudo, você sabe que a Venezuela é a maior reserva de petróleo do mundo”, declarou ele nesta terça-feira (6).
A CRE tem acompanhado de perto os desdobramentos internacionais desde a operação realizada em 3 de janeiro, que culminou na captura de Maduro. O senador destacou a parceria estratégica que a Venezuela mantinha com a China.
“Tanto é que, horas antes de ser capturado e levado para os Estados Unidos, o governo venezuelano, ainda liderado por Maduro, estava em reunião com autoridades chinesas”, observou.
Em seguida, ele apontou que o objetivo da operação poderia estar relacionado às riquezas naturais do país. “Então, por trás disso tudo, há esse interesse, não só na reserva de petróleo venezuelana — que já é explorada por empresas americanas —, mas também nas terras raras e minerais raros, abundantes naquele território”.
Alerta geopolítico
“Essa é a geopolítica que está sendo evidenciada por trás de toda essa história”, afirmou Nelsinho Trad. O parlamentar enfatizou a necessidade de os países da América do Sul permanecerem vigilantes. “Cabe a nós, países de toda a América Latina, ficar com o radar ligado, no sentido de evitar que isso se torne uma prática recorrente”.
Além disso, mencionou outros pontos de tensão na região. “Há ameaças na Colômbia e já há ameaças no México”. O presidente da CRE defendeu prudência: “É preciso agir com muita calma nessa hora”. “Vamos tratar pontualmente e de forma focada essa questão da Venezuela”, disse sobre as ações da comissão.
Possibilidade de acordo
Por fim, o senador levantou a hipótese de um acordo prévio com os Estados Unidos para a operação, citando o alinhamento discursivo da vice-presidente Delcy Rodríguez com posições americanas.
Nelsinho observou a ausência de divulgação sobre baixas na equipe de Maduro e a rapidez da ação. Por isso, acredita que “havia um acordo em toda essa circunstância”.
No entanto, ressalvou que os fatos ainda precisam ser esclarecidos. “O tempo vai revelar isso. A curto prazo, já vemos a vice-presidente com discursos em consonância com o americano, no sentido de uma gestão compartilhada. Muitas coisas ainda serão evidenciadas, o que exige de nós cautela”, concluiu.
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