

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), já havia cobrado uma mudança estrutural e no modelo de gestão da Santa Casa de Campo Grande em abril deste ano, durante a formalização de um repasse de R$ 25 milhões para a unidade. A cobrança ganha contornos urgentes diante da greve deflagrada pela enfermagem e outros setores nesta segunda-feira (22), motivada pela crise financeira do hospital e pelo atraso no pagamento do 13º salário.
Na ocasião do repasse, Riedel foi enfático: “É necessário que haja uma mudança no modelo de gestão, uma mudança estrutural”. Os R$ 25 milhões, oriundos de recursos da bancada federal, foram transferidos em três parcelas entre abril e junho, após remanejamento de outros projetos pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). O governo estadual vinha condicionando novos apoios à adoção de um novo modelo que evitasse crises emergenciais recorrentes.
Greve e Crise Financeira
A paralisação foi aprovada por unanimidade pelos enfermeiros, reduzindo em cerca de 70% o quadro de atuação no hospital. O movimento é uma resposta ao colapso financeiro que impede o pagamento do 13º salário de todos os funcionários, desde a equipe médica até o administrativo.
O presidente do Sindicato da Enfermagem (Siems), Lázaro Santana, informou que a categoria rejeitou a proposta inicial da direção do hospital, que previa o parcelamento do benefício em três vezes, entre janeiro e março de 2026.
Desentendimento sobre Repasses
A direção da Santa Casa afirma que a raiz do problema está na suspensão de um repasse anual do Governo do Estado. Alir Terra, presidente da instituição, explicou: “Há anos o Governo do Estado vinha repassando a competência do contrato dele, e nós sempre usamos para pagar o 13⁰ salário. Este ano, o Governo do Estado disse que não vai passar”. Segundo a Santa Casa, o secretário estadual de Saúde, Mauricio Simões, comunicou à federação dos hospitais filantrópicos que fará o repasse em três parcelas em 2026.
A instituição reconhece a legitimidade da greve, mas alega que seus “recursos são finitos” e que o principal problema é a falta de “equilíbrio econômico-financeiro do contrato” com o estado. A situação expõe a crise de um modelo de gestão e financiamento que levou à paralisação dos trabalhadores e ao risco de colapso nos serviços do hospital.
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