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Exclusão de deputados pode derreter PSDB no Estado

Exclusão de deputados pode derreter PSDB no Estado

11/12/2025 às 12h08
Por: Redação
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Sede do PSDB em Mato Grosso do Sul.
Sede do PSDB em Mato Grosso do Sul.

A estratégia adotada pelo novo presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, de marginalizar deputados estaduais na estrutura de comando do partido em Mato Grosso do Sul, arrisca aprofundar uma crise que já se arrasta e pode levar à desagregação definitiva da sigla no Estado. A decisão de eleger dois deputados federais – Beto Pereira como presidente e Geraldo Resende como vice – para o comando regional reacendeu antigos descontentamentos e expôs uma fratura interna que ameaça a própria sobrevivência do partido.

O afastamento dos estaduais não é um episódio isolado. Anteriormente, sob a presidência nacional de Marconi Perillo, deputados estaduais já haviam sido excluídos de uma reunião crucial no Estado, um precedente que gerou mal-estar. Desta vez, a expectativa de um grupo interno era que o deputado estadual Pedro Caravina assumisse ao menos a vice-presidência, mas a escolha por Resende foi recebida como uma nova demonstração de desconsideração por essa ala. Para os críticos, a medida revela que a cúpula nacional prioriza apenas o "tempo e dinheiro" proporcionados pelo número de deputados federais, negligenciando a base estadual, essencial para a formação de chapas eleitorais e a sustentação política local.

A insatisfação tem consequências práticas e imediatas. A ala estadual descontenta não acredita na permanência duradoura do presidente Beto Pereira no partido, enxergando seu mandato como provisório e "para tapar buraco". Essa percepção de instabilidade acelera um êxodo em massa. Entre os seis deputados estaduais do PSDB-MS, apenas Lia Nogueira e Pedro Caravina sinalizam a intenção de permanecer, ainda que insatisfeitos. Os demais já buscam novos rumos: Zé Teixeira, Jamilson Name e Mara Caseiro negociam com o PL, enquanto Paulo Corrêa conversa com o PP.

O cenário de descrença se estende até aos próprios nomes que assumiram o comando. Apesar da promessa de Beto Pereira e Geraldo Resende de permanecerem no partido, mesmo diante da escassez de recursos, filiados duvidam que o trio de federais (incluindo Dagoberto Nogueira) resista à próxima janela partidária. Há rumores de que Beto já conversou com o Republicanos, Dagoberto com o PP, e que Geraldo Resende teria sondado o PV.

Assim, a aposta de Aécio Neves em uma estrutura de comando centralizada nas figuras federais, embora calculada sob uma lógica de curto prazo, pode ter efeito contrário. Ao alienar a base estadual, a decisão não apenas desestabiliza o partido no presente, mas também mina suas fundações para o futuro, potencialmente enterrando de vez as ambições do PSDB em Mato Grosso do Sul. A "última pá de cal" pode não ter sido apenas simbólica, mas o início de um processo irreversível de esvaziamento.

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