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Desesperado, o Partido Novo do MS aposta em um pseudo-influencer que se veste de mulher

Desesperados Partido Novo do MS aposta em pseudo influencer que se veste de mulher

05/12/2025 às 11h32
Por: Redação
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Partido Novo-MS aposta em
Partido Novo-MS aposta em

Sem conseguir lançar nomes competitivos formados no próprio Estado, o partido NOVO voltou a recorrer a uma estratégia questionável: apostar em uma “celebridade digital importada”. Nos bastidores políticos, ganhou força a informação de que a legenda articula a vinda do influencer Charles Gama, que acumula cerca de 400 mil seguidores nas redes sociais, mas não ultrapassa 5 mil interações reais por publicação — um índice considerado alarmantemente baixo para perfis com esse volume de audiência.


Além do fraco desempenho digital, pesa contra a aposta o fato de que Charles Gama não é de Mato Grosso do Sul, não possui qualquer histórico de atuação política no Estado e não construiu base eleitoral local, fatores que colocam em xeque sua viabilidade nas urnas.

Seguidores sob suspeita

Fontes ligadas à comunicação política consultadas pela reportagem apontam que parte expressiva dos seguidores de Charles Gama pode ter sido adquirida artificialmente, prática conhecida no meio digital como compra de “seguidores fakes”. Segundo as análises informais, o comportamento do perfil é típico de contas infladas: números elevados de seguidores com engajamento extremamente baixo, comentários repetitivos, curtidas concentradas fora do padrão orgânico e picos súbitos de crescimento sem conteúdo viral correspondente.

“O perfil tem todos os sinais de audiência comprada. Seguidores não reagem, não comentam de forma natural e não geram alcance consistente. Isso indica público majoritariamente artificial”, avaliou um especialista em análise de redes sociais ouvido pela reportagem.

Compra de curtidas dentro do próprio partido

A situação expõe um problema mais amplo dentro do próprio NOVO em Mato Grosso do Sul. Fontes revelam que alguns nomes ligados à legenda no Estado também estariam recorrendo à compra de curtidas e seguidores, com parte dessas interações sendo rastreadas para servidores localizados na Arábia Saudita, prática comum em serviços clandestinos de impulsionamento falso.

Na avaliação de analistas, trata-se de uma tentativa desesperada de criar a ilusão de força digital para compensar a ausência de militância real e apoio orgânico.

“É uma maquiagem digital. O problema é que curtida comprada não vira liderança, não vira voto e não lota reunião política. No dia da eleição, o servidor da Arábia Saudita não aparece para votar”, ironizou um dirigente partidário ouvido sob reserva.

Influencer sem conexão com a realidade do Estado

A aposta em um nome externo apenas reforça a principal fragilidade do NOVO no MS: a falta de lideranças formadas localmente. Em vez de investir em diretórios municipais e trabalho de base, a legenda segue apostando em soluções midiáticas que geram barulho superficial, mas não constroem capilaridade eleitoral.

“É mais fácil contratar seguidores do que conquistar militância. Só que urnas não se impressionam com números inflados de rede social”, resumiu um filiado.

Bastidores em ebulição

A condução da legenda virou alvo de críticas internas após as movimentações envolvendo o influencer. Mensagens vazadas de um grupo de filiados mostram o descontentamento generalizado com a ausência de planejamento e de presença no interior.

Um dos integrantes escreveu:

“Happy 30 não ganha eleição. Panfletagem de partido não ganha eleição. O que ganha eleição é viajar no interior, abrir diretórios municipais e trazer lideranças para o partido, já pensando em 2026 e 2028.”

Outro alerta:

“Se não der municipais para os patriotas, o NOVO fica concentrado só em Campo Grande.”

As mensagens provocaram reação do presidente estadual do partido, Guto Scarpanti, que respondeu em tom de incômodo pessoal:

“Vou fingir que isso não foi uma crítica pessoal à minha gestão. Ainda mais vindo de você, por quem comprei briga grande na campanha de 2024. Depois conversamos pessoalmente. Não gosto de perder tempo em discussão de grupo ou rede social.”

Risco de novo fiasco

Entre suspeitas de números inflados, apostas em nomes sem raízes no Estado e uma militância cada vez mais desmotivada, o NOVO se aproxima novamente de um cenário já conhecido: muito marketing digital, pouca política real — e quase nenhum resultado nas urnas.

Enquanto a legenda investe em seguidores possivelmente comprados, o trabalho de base segue inexistente. No fim das contas, a conta sempre chega no mesmo lugar: a urna eleitoral, onde não há filtros, robôs ou curtidas falsas — apenas votos de verdade.

Campo dos Goytacazes e o eterno retorno das candidaturas folclóricas

Em 2016, enquanto Campo dos Goytacazes discutia temas decisivos para o futuro do município, uma figura quase pitoresca chamava atenção nas listas de candidatos: Charles da Água, filiado ao então PTC. O nome, curioso o suficiente para gerar comentários, acabou se tornando mais lembrado pelo folclore eleitoral do que propriamente pela votação — 209 votos, número que representou pouco mais que o apoio de familiares, amigos próximos e possivelmente alguns clientes que receberam panfletos no semáforo.

A campanha de Charles nunca despertou grande debate público. Não havia propostas estruturadas, não havia presença marcante em debates, e tampouco uma defesa convincente de por que o eleitor deveria confiar-lhe um mandato. A impressão que ficou à época é que sua participação foi mais um gesto simbólico do que um projeto político real — quase um “por que não?” colocado nas urnas.

O desempenho modesto acabou deixando Charles da Água eternamente posicionado naquele grupo de candidatos que entram para a história política local não por realização, mas por estatística. A eleição passou, o município seguiu seu curso, mas o nome permanece como exemplo de como o sistema eleitoral, vez ou outra, produz figuras que transitam mais pela curiosidade pública do que pela relevância política.

Em um cenário de grandes desafios sociais, econômicos e administrativos, a candidatura de 2016 soa hoje como um lembrete da distância entre a seriedade que o cargo exige e a leveza — às vezes excessiva — com que alguns tratam a própria ideia de disputar uma eleição. Em Campo dos Goytacazes, muitos ainda se lembram de Charles… não pelo que fez, mas pelo que não chegou a fazer.
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