

O deputado federal Beto Pereira (PSDB) enfrenta um cenário delicado ao assumir a presidência do partido a pedido do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). Sua missão é coordenar a formação das chapas para deputados federais e estaduais, mas ele lidera sob o peso da desconfiança: muitos filiados duvidam que ele próprio permaneça no PSDB.
A nomeação teve o aval do senador Aécio Neves, apesar do relacionamento pouco amistoso entre ambos. O acordo inclui o compromisso verbal de que Beto, junto com os outros dois deputados federais do estado, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende, permaneçam e busquem a reeleição pela legenda.
Beto sabia de sua indicação desde quarta-feira, mas evitou manifestações públicas de engajamento, como postagens em redes sociais prometendo lealdade ao partido. Embora não possa deixar o PSDB imediatamente, a “janela partidária” de março do próximo ano representa uma saída em potencial.
A situação é instável. Marconi Perillo, ex-presidente nacional do partido, visitou Mato Grosso do Sul antes da saída do governador Eduardo Riedel e recebeu garantias de permanência do trio de federais. No entanto, os próprios deputados, embora afirmem preferir ficar, nunca formalizaram essa promessa com um documento assinado. Agora, repetem a intenção, mas ainda sem um compromisso firme.
No campo estadual, a debandada é evidente: quatro dos seis deputados — Mara Caseiro, Zé Teixeira, Paulo Corrêa e Jamilson Name — já anunciaram que deixarão o partido. Os dois restantes, Pedro Caravina e Lia Nogueira, ponderam sua permanência, aguardando para ver como a chapa será composta. Eles esperavam maior protagonismo no diretório estadual, mas a escolha de Aécio por dois deputados federais para presidência e vice-presidência os desvalorizou, o que pode ser decisivo para que também abandonem a sigla.
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