

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado convocou os diretores da Polícia Federal (PF) para prestar esclarecimentos sobre a Operação Carbono Oculto. O objetivo da oitiva, marcada para terça-feira (18), é detalhar o combate ao crime organizado e o avanço das facções criminosas no país.
Entre os convidados estão o diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada da Costa. O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), justificou a convocação pela necessidade de compreender o início das investigações sobre a expansão territorial, econômica e operacional das facções.
Os senadores buscam entender, em particular:
A Operação Carbono Oculto, que teve alvos em Mato Grosso do Sul, desmantelou um esquema que usava fintechs e postos de gasolina para lavar recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC). A PF atuou em conjunto com a Receita Federal e o Gaeco de São Paulo.
Os parlamentares também devem questionar os diretores sobre a operação nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 121 pessoas.
Os depoimentos servirão ainda como base para o Projeto de Lei das Facções Criminosas, de autoria do Executivo, que tramita na Câmara dos Deputados. A proposta cria mecanismos de rastreamento financeiro e estabelece regras mais rigorosas para líderes e financiadores do crime.
Paralelamente, a CPI aprovou um requerimento para convocar Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, apontado como um dos líderes do PCC em Mato Grosso do Sul. Ele é investigado por comandar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, que movimentou mais de R$ 52 bilhões por meio de empresas de fachada.
A CPI também investiga a histórica expansão do PCC em Mato Grosso do Sul, que começou ainda na década de 1990, quando líderes considerados “problemas” foram transferidos de São Paulo para outros estados. Um deles, César Augusto (“Cezinha”), foi para MS e é descrito como uma liderança “carismática e de boa comunicação”.
Atualmente, a facção é dominante no estado e controla uma das rotas mais importantes do tráfico: o caminho da cocaína boliviana para o resto do Brasil e para a Europa.
Instalada em 4 de novembro, a CPI tem como eixos centrais investigar o tráfico, as milícias e os métodos de lavagem de dinheiro por meio de fintechs, escritórios de advocacia e criptomoedas.
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