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STF tenta se proteger ante o risco de a direita dominar o Senado em 2026

STF tenta se proteger ante o risco de a direita dominar o Senado em 2026

13/10/2025 às 11h51
Por: Redação
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Os Ministros da Suprema Corte Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
Os Ministros da Suprema Corte Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um momento de tensão estratégica à medida que as eleições de 2026 se aproximam, com 54 das 81 vagas do Senado em disputa. Ministros da Corte, especialmente aqueles com maior sensibilidade política, enxergam um risco iminente: a conquista de maioria pela direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que poderia resultar na eleição de um presidente da Casa disposto a abrir processos de impeachment contra juízes do Supremo.

Essa percepção ganhou força após eventos recentes, como a aprovação de urgência para uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e a sanção imposta a Alexandre de Moraes nos Estados Unidos, promovida pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Esses episódios acenderam um "sinal de alerta" na Corte, revelando a capacidade de mobilização da oposição.

A estratégia da extrema-direita, liderada por Bolsonaro, é clara e ambiciosa. Com o ex-presidente inelegível até 2030 e enfrentando condenações por tentativa de golpe de Estado – incluindo uma pena de 27 anos e três meses de prisão –, o foco recai sobre o Senado como "cavalo de Troia" para reconquistar poder.

Reeleger os 11 senadores atuais em fim de mandato e conquistar mais 16 cadeiras seria suficiente para uma maioria de 41 assentos, permitindo controle do plenário e da presidência da Casa a partir de 2027. O objetivo vai além da mera composição: o Senado detém poderes exclusivos, como julgar autoridades, vetar indicações para o alto escalão e, crucially, aprovar impeachments de ministros do STF – uma ferramenta inédita para "enquadrar" a Corte, segundo discursos de bolsonaristas como o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que já prometeu uma "limpa" no Supremo.

Pesquisas iniciais reforçam o otimismo da direita. Em São Paulo, por exemplo, pré-candidatos bolsonaristas despontam em vantagem, e projeções indicam que, mantendo alianças com o centro, o PL e aliados podem alcançar 44 ou 45 cadeiras.No Norte e Nordeste, redutos de Bolsonaro em 2022, a meta é abocanhar pelo menos sete das 14 vagas no Norte e subir de três para cinco no Nordeste.Nomes como Michelle Bolsonaro (para o Senado no DF), Ricardo Salles e Eduardo Bolsonaro (em SP) e Major Vitor Hugo (em GO) já são articulados, com o "voto casado" – dois candidatos por estado – como tática para dobrar apostas. Governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) também são cotados para Presidência ou Senado, ampliando o leque.

Diante desse avanço, o STF não fica passivo. Ministros como Gilmar Mendes e Luiz Fux adotam posturas moderadas nos bastidores, buscando alianças com o Centrão – que domina o Congresso atual e tem trânsito no Judiciário – para frear radicais. Em setembro de 2025, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e o partido Solidariedade protocolaram ações no STF para proibir impeachments baseados em decisões judiciais, ecoando declaração de Mendes de que a Corte "não aceitaria" tais processos. Há relatos de conversas com governadores para que disputem o Senado e contenham a "onda conservadora", além de pressão indireta sobre sabatinas futuras. Até o presidente Lula, aliado histórico do STF, alerta para o "pandemônio" de uma maioria direitista, escalando senadores petistas para reeleição e priorizando o Senado sobre governos estaduais.

A esquerda, por sua vez, adota uma tática de união com moderados. O grupo "Direitos Já!", com apoio de 13 partidos (incluindo PT, PSB e PDT), lançou um movimento em agosto de 2025 para formar frentes estaduais contra a extrema-direita, focando em "dois nomes viáveis por estado" para barrar o bolsonarismo. Projetos como o PL 4.629/2024, do líder governista Randolfe Rodrigues (Rede-AP), visam alterar regras eleitorais para conter a renovação conservadora, mas enfrentam resistência por seu caráter "casuístico". No X (antigo Twitter), o debate ferve: bolsonaristas cobram voto impresso e contam com o Senado como "tribunal do STF", enquanto opositores veem na fragmentação da direita uma oportunidade para Lula.

O embate STF-direita deve polarizar a campanha de 2026, com o Supremo arrastado para o centro do debate eleitoral.Para o senador Rogério Marinho (PL-RN), a renovação é o "único caminho para equilibrar os poderes". Já para a esquerda, como avalia José Dirceu, a chave é evitar uma maioria radical, mesmo que signifique alianças improváveis. Em um país de instituições frágeis, o pleito de 2026 não será apenas sobre votos, mas sobre o futuro da separação de poderes – e o STF, guardião da Constituição, agora joga na defesa.



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