Pesquisas iniciais reforçam o otimismo da direita. Em São Paulo, por exemplo, pré-candidatos bolsonaristas despontam em vantagem, e projeções indicam que, mantendo alianças com o centro, o PL e aliados podem alcançar 44 ou 45 cadeiras.No Norte e Nordeste, redutos de Bolsonaro em 2022, a meta é abocanhar pelo menos sete das 14 vagas no Norte e subir de três para cinco no Nordeste.Nomes como Michelle Bolsonaro (para o Senado no DF), Ricardo Salles e Eduardo Bolsonaro (em SP) e Major Vitor Hugo (em GO) já são articulados, com o "voto casado" – dois candidatos por estado – como tática para dobrar apostas. Governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) também são cotados para Presidência ou Senado, ampliando o leque.
Diante desse avanço, o STF não fica passivo. Ministros como Gilmar Mendes e Luiz Fux adotam posturas moderadas nos bastidores, buscando alianças com o Centrão – que domina o Congresso atual e tem trânsito no Judiciário – para frear radicais. Em setembro de 2025, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e o partido Solidariedade protocolaram ações no STF para proibir impeachments baseados em decisões judiciais, ecoando declaração de Mendes de que a Corte "não aceitaria" tais processos. Há relatos de conversas com governadores para que disputem o Senado e contenham a "onda conservadora", além de pressão indireta sobre sabatinas futuras. Até o presidente Lula, aliado histórico do STF, alerta para o "pandemônio" de uma maioria direitista, escalando senadores petistas para reeleição e priorizando o Senado sobre governos estaduais.
A esquerda, por sua vez, adota uma tática de união com moderados. O grupo "Direitos Já!", com apoio de 13 partidos (incluindo PT, PSB e PDT), lançou um movimento em agosto de 2025 para formar frentes estaduais contra a extrema-direita, focando em "dois nomes viáveis por estado" para barrar o bolsonarismo. Projetos como o PL 4.629/2024, do líder governista Randolfe Rodrigues (Rede-AP), visam alterar regras eleitorais para conter a renovação conservadora, mas enfrentam resistência por seu caráter "casuístico". No X (antigo Twitter), o debate ferve: bolsonaristas cobram voto impresso e contam com o Senado como "tribunal do STF", enquanto opositores veem na fragmentação da direita uma oportunidade para Lula.
O embate STF-direita deve polarizar a campanha de 2026, com o Supremo arrastado para o centro do debate eleitoral.Para o senador Rogério Marinho (PL-RN), a renovação é o "único caminho para equilibrar os poderes". Já para a esquerda, como avalia José Dirceu, a chave é evitar uma maioria radical, mesmo que signifique alianças improváveis. Em um país de instituições frágeis, o pleito de 2026 não será apenas sobre votos, mas sobre o futuro da separação de poderes – e o STF, guardião da Constituição, agora joga na defesa.