

De 2018 a 2024, a população em situação de rua cresceu 185% na capital sul-mato-grossense, segundo levantamento da Defensoria Pública do Estado em conjunto com a UFMS. O número saltou de cerca de 800 para mais de 2.200 pessoas vivendo nas ruas da cidade. Em resposta ao caos urbano e à pressão da opinião pública, a Prefeitura anunciou a criação do CIAMP-Rua/CG – Comitê Intersetorial para Monitoramento das Políticas Públicas voltadas à população de rua.
A medida, contudo, foi recebida com descrença por especialistas e lideranças comunitárias. “Já são anos de inércia da Secretaria de Assistência Social, sem ampliação de abrigos, sem programas de reintegração produtiva, nem políticas efetivas de saúde mental ou combate ao uso de drogas”, afirma a assistente social Juliana S. Rocha, que atua em regiões afetadas como a Avenida Calógeras e a Orla Ferroviária.
Em 2024, o orçamento da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) foi de R$ 133 milhões, mas menos de 18% foi executado em programas de reintegração social e capacitação profissional, segundo dados do Portal da Transparência. Enquanto isso, cresce a sensação de insegurança nas regiões centrais, praças e terminais de ônibus.
A criação do comitê é vista como uma manobra de “gestão de crise”, sem garantia de execução prática. A cidade, há tempos, carece de ações concretas — não de reuniões e diagnósticos.
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