

Após meses de denúncias envolvendo a má qualidade da frota do transporte público de Campo Grande e diante da pressão da CPI do Consórcio Guaicurus, a Prefeitura decidiu iniciar o teste de um ônibus movido a gás natural e biometano. A medida é considerada uma tentativa de amenizar o desgaste da gestão da prefeita Adriane Lopes (PP), que vem sendo duramente criticada por negligência e omissão em relação ao colapso da mobilidade urbana.
O modelo experimental, apresentado nesta quinta-feira (17), circulará durante 30 dias na linha 061 – Moreninha/Shopping Campo Grande, uma das mais movimentadas da capital. O projeto envolve a Agetran, a concessionária MSGás, e técnicos da área de transporte urbano. O objetivo é avaliar o desempenho técnico, o conforto para o passageiro, o consumo de combustível e a viabilidade econômica do modelo.
O vereador Maicon Nogueira (PP), relator da CPI do Transporte, afirmou que o teste só aconteceu após forte pressão do Legislativo. “O Consórcio Guaicurus está em frangalhos. A frota está velha, e o povo é que paga o preço com ônibus lotados, sem ar-condicionado e atrasados. Esse teste é resultado direto do nosso trabalho na CPI”, destacou.
Para especialistas, o teste é positivo, mas tardio. “O modal está defasado. Campo Grande ficou para trás enquanto outras capitais já implementaram ônibus elétricos ou híbridos em suas rotas principais. Esse teste é um alívio, mas ainda tímido”, afirma o urbanista Paulo Rocha.
O uso de combustíveis alternativos como o biometano também pode abrir portas para parcerias com o setor privado e baratear a operação no médio prazo. Ainda assim, a população segue desconfiada: “Espero que não seja só propaganda pra enganar a gente antes da eleição”, disse Lucinéia da Silva, auxiliar de serviços gerais e usuária da linha testada.
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