

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem intensificado sua agenda política em diversos estados brasileiros, ampliando seu capital eleitoral e se consolidando como uma das principais apostas do campo conservador para disputar a Presidência da República em 2026. Embora ainda evite declarações diretas sobre a candidatura, nos bastidores a movimentação é clara: Eduardo articula alianças, aparece ao lado de lideranças do agronegócio, evangélicos e forças de segurança, e tem elevado o tom contra o governo Lula.
Em eventos recentes em Goiás, Paraná, Mato Grosso e Santa Catarina, Eduardo Bolsonaro tem sido tratado como "o herdeiro do legado de 2018", referindo-se à eleição de seu pai, Jair Bolsonaro. Nas redes sociais, onde soma mais de 3,2 milhões de seguidores no Instagram e 2,1 milhões no X (antigo Twitter), Eduardo adota um discurso firme em defesa da liberdade de expressão, armamento civil, redução do tamanho do Estado e combate ao “globalismo”.
Fontes próximas ao diretório nacional do PL afirmam que o nome de Eduardo vem sendo trabalhado com mais ênfase desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro se viu juridicamente impedido de concorrer por conta da inelegibilidade imposta pelo TSE em 2023. A sigla avalia que o filho “03” seria o único capaz de herdar com legitimidade o eleitorado bolsonarista raiz, mantendo o discurso combativo, mas com uma linguagem mais conectada à nova geração de eleitores.
“Ele é jovem, preparado, tem experiência internacional, fala inglês fluente, e conhece os bastidores do poder. É um nome forte que o partido não pode desprezar”, afirmou à reportagem um senador aliado do PL que pediu anonimato.
Aproximações estratégicas e plano nacional
Eduardo também tem mantido encontros com lideranças políticas fora do eixo tradicional da direita. Em recente viagem a Minas Gerais, reuniu-se com empresários do setor de mineração e líderes evangélicos da Assembleia de Deus. Em São Paulo, articula com prefeitos bolsonaristas e busca apoio entre policiais militares.
No Congresso, apesar de não ocupar cargo de liderança formal, Eduardo tem atuado como uma ponte entre parlamentares da ala mais combativa e a direção do PL, liderada por Valdemar Costa Neto. Seu discurso tem sido centrado na "recuperação dos valores nacionais", combate ao avanço do STF sobre o Legislativo e críticas duras à política externa do Itamaraty, que ele acusa de estar “rendida à ideologia da esquerda globalista”.
A avaliação interna no PL
Embora haja outras opções na mesa, como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Romeu Zema (Novo), há quem veja em Eduardo o único nome com DNA 100% bolsonarista. “Tarcísio é bom gestor, mas não representa o espírito de luta do bolsonarismo. O Eduardo representa”, disse um deputado da bancada da bala.
Segundo levantamento interno do Instituto Paraná Pesquisas, encomendado em junho de 2025, Eduardo Bolsonaro aparece com 14,3% das intenções de voto no cenário sem Lula nem Bolsonaro pai — ficando atrás apenas de Tarcísio (21,1%) e Flávio Dino (18,6%), e empatado tecnicamente com Zema (13,9%).
O QUE DIZ EDUARDO
Apesar de toda movimentação, Eduardo evita confirmar a pré-candidatura:
“Meu foco agora é fortalecer o PL, combater os abusos que vemos hoje no Brasil e defender a liberdade. Sobre 2026, ainda tem muita água pra rolar. Mas estou pronto para qualquer missão que Deus e o povo brasileiro me derem.”
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