

Campo Grande vive mais um capítulo de desrespeito ao cidadão. A CPI do Consórcio Guaicurus, instaurada para apurar irregularidades no transporte coletivo da capital, revelou nesta última semana um verdadeiro caos administrativo e financeiro, com indícios de superfaturamento de até R$ 42 milhões, falta de fiscalização da Prefeitura e contratos que beneficiam empresários, não o povo.
Sob relatoria do vereador Sandro Benites (PL), a comissão ouviu empresários, ex-funcionários e servidores públicos. Um dos depoimentos mais explosivos foi o de um ex-diretor do Consórcio, que afirmou que a frota nunca foi 100% renovada, mesmo com os repasses milionários garantidos em contrato. Em contrapartida, a Prefeitura se manteve omissa — não aplicou multas, não fiscalizou e tampouco rompeu o contrato.
“Estamos falando de um sistema podre, sustentado por um pacto entre políticos omissos e empresários que lucram com o sofrimento de quem depende do transporte coletivo”, disparou o relator.
Entre os dados apresentados, destacam-se:
A CPI ainda apura o papel da prefeita Adriane Lopes (PP), que assumiu compromissos públicos de revisar o contrato, mas até agora não executou nenhuma medida concreta. Para parlamentares da oposição, o governo municipal pode ser cúmplice por omissão, configurando “prevaricação administrativa”.
Enquanto a elite política e empresarial desfruta de carros oficiais e gabinete climatizado, o campo-grandense sofre no transporte público lotado, quente e caro. A CPI do Consórcio Guaicurus é uma chance histórica de virar essa página suja — mas só se houver coragem para romper com os velhos acordos que sempre blindaram os poderosos.
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