


Deputados estaduais petistas e o diretório regional do PT reagiram com indignação à manifestação do governador Eduardo Riedel (PSDB) a favor da anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, que incluiu invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes. No entanto, o partido não pretende romper e entregar os cargos no Governo tucano.
“Considero necessário aprovar uma anistia, que em muitos casos também tem caráter humanitário”, defendeu o governador em postagem nas redes sociais no último sábado (5). “Do meu ponto de vista, não dá para julgar e penalizar com a mesma régua o que é completamente diferente! Do ponto de vista político, acredito que o Congresso Nacional tem obrigação de votar a matéria, considerando-a inclusive como um passo imprescindível para a pacificação do país”, defendeu.
Os deputados Pedro Kemp, Gleice Jane e Zeca do PT criticaram a manifestação do governador. “A posição do governador em relação ao capcioso projeto de anistia gera preocupação, indignação e questionamentos. A concessão de anistia a aqueles que atentaram contra o Estado democrático de direito e contra as instituições do país é uma grave afronta à justiça, à verdade e à memória histórica”, afirmou Gleice, atual líder do PT na Assembleia Legislativa.
Ex-governador por dois mandatos, Zeca também criticou a defesa da anistia. Ele disse que não se trata de velhinhas, mas de baderneiros que depredaram e destruíram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, causando um prejuízo de R$ 30 milhões. “Não é brincadeira, tem que ser condenado sim”, defendeu o ex-deputado.
Já sobre a decisão de romper com o tucano, Zeca foi claro. Ele se manifestou contra a saída do Governo e afirmou que o governador convidou o PT para integrar a administração estadual como reconhecimento pelo apoio fundamental para a vitória contra o Capitão Contar (PRTB), que chamou de extremista de direita. “Sem o apoio do PT, ele não ganhava. Se ele quiser, que nos tire”, afirmou Zeca do PT.
A Executiva do PT publicou uma nota criticando a anistia. “A extrema direita, para quem o Governador defende anistia, foi derrotada, e nos causa indignação essa manifestação de apoio. Acreditamos que é, no mínimo, incoerente para quem quer se apresentar como democrata e defensor da soberania popular expressa nas urnas”, afirmou, em nota.

A direção do PT cobra coerência do Governador, tendo em vista que nas eleições de 2022, em respeito aos valores democráticos, à civilidade na política, contra o negacionismo e o extremismo, o PT apoiou Eduardo Riedel no segundo turno das eleições.
A extrema direita, para quem o Governador defende anistia, foi derrotada, e nos causa indignação essa manifestação de apoio. Acreditamos que é, no mínimo, incoerente para quem quer se apresentar como democrata e defensor da soberania popular expressa nas urnas.
Ao falar no caráter humanitário de um projeto de anistia, cobramos que esse sentimento esteja presente no respeito às comunidades indígenas e às famílias acampadas, que rotineiramente são tratadas com violência por reivindicarem seus direitos à terra, à água e à vida.
Quanto a obrigação do Congresso em votar um projeto de anistia (rejeitado por 62% do povo brasileiro), entendemos que existem pautas mais urgentes e necessárias, como, por exemplo, a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais e a cobrança justa do imposto dos milionários. É isso que o povo espera do Congresso com o apoio dos governadores.
Desta forma, o PT de Mato Grosso do Sul reafirma o seu compromisso histórico e programático com a democracia, e qualquer caminho que não aponte para esse objetivo não contará com nosso apoio.
As consequentes medidas políticas decorrentes dessa nossa posição serão tomadas em consonância com nossa base partidária, a Direção Nacional do PT e o núcleo político do Governo Lula, levando em conta nossa prioridade de reelegermos o nosso projeto nacional, com ampliação das nossas bancadas e a conquista de uma das vagas ao senado.
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