


Na audiência pública sobre a BR-163, realizada na Câmara Municipal de Campo Grande, o deputado federal Marcos Pollon (PL) fez um contundente pronunciamento criticando a atuação da CCR MSVia e propondo alternativas para resolver os problemas da rodovia.
Pollon destacou o momento histórico representado pela união de 18 municípios, câmaras de vereadores, bancadas estadual e federal, senadores e o governo do estado em torno de uma mesma causa. “Se todas essas forças políticas forem imbuídas em prol de uma solução, nós encontraremos um caminho”, afirmou.
O parlamentar foi enfático ao afirmar que a situação da rodovia demonstra “total falta de respeito” por parte da concessionária, que sequer tem enviado representantes às audiências públicas realizadas nas câmaras municipais e na Assembleia Legislativa. “Eu oficiei esse pessoal e esse pessoal sequer responde”, relatou.
Pollon contestou argumentos que tentam minimizar a responsabilidade da concessionária, como associar a redução de acidentes a fatores externos. “A culpa é uma só: do inadimplemento absurdo da CCR”, declarou, utilizando o conceito jurídico de “nexo de causalidade” para demonstrar que as mortes estão diretamente relacionadas à falta de investimentos na rodovia.
O deputado relatou situações alarmantes em vários trechos da BR-163, como a falta de acostamentos em algumas regiões, citando especificamente o trecho da deputada Mara Caseiro. “Uma rodovia concessionada não tem o mísero acostamento”, criticou.
Ele também mencionou problemas críticos em Campo Grande, como na região da Chácara Fulec e na área conhecida como “Gambiarrão”, onde foram colocados apenas “uma dúzia de cones de plástico” enquanto pessoas continuam morrendo no local. “É absurdo o nível de descaso”, desabafou o parlamentar.
Pollon questionou o destino dos recursos arrecadados pela concessionária. Segundo ele, a CCR MSVia captou “quase R$ 4 bilhões de juros subsidiados” e arrecadou “mais R$ 4 bilhões” com pedágios, mas investiu “pouco mais de R$ 1,9 bilhão” na rodovia. “Cadê o dinheiro?”, questionou.

Como alternativa, Pollon sugeriu seguir o modelo adotado pelo estado vizinho, Mato Grosso, onde o governo estadual assumiu as obras da rodovia. “O Mato Grosso resolveu. Você atravessa ali, eles deram um salto de progresso. Por quê? O governo do estado encampou a obra”, explicou.
O deputado afirmou que já conversou com o governador Eduardo Riedel sobre a possibilidade de estudar alternativas jurídicas para que o estado de Mato Grosso do Sul, em parceria com os municípios, possa assumir trechos da rodovia. “Existem empresas que podem não conseguir fazer o trecho todo de Sonora ao Mundo Novo, mas fracionado consegue”, argumentou.
Durante sua fala, Pollon também mencionou as diversas iniciativas que tomou desde o início de seu mandato, como requerimentos ao Ministério dos Transportes, denúncias ao TCU e ao Ministério Público Federal, além de ofícios enviados ao diretor da CCR e outras autoridades.
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