

O banco BTG Pactual, em parceria com a Nexus Pesquisa e Inteligência, divulgou nesta segunda-feira (27 de abril de 2026) a segunda rodada de sua pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. O levantamento, realizado por telefone com 2.028 eleitores entre os dias 24 e 26 de abril (margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos), reforça o cenário de forte polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com os dois nomes se destacando claramente dos demais pré-candidatos.
A pesquisa confirma que a disputa de 2026 continua concentrada nesses dois polos, com Lula mantendo liderança numérica no primeiro turno e um empate técnico no segundo turno contra Flávio e também contra outros nomes da centro-direita, como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
No confronto direto de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa mostra o petista com 46% das intenções de voto contra 45% do senador. Branco, nulo ou nenhum somam 8%, e 1% não soube ou não respondeu. Trata-se de empate técnico dentro da margem de erro, praticamente idêntico ao resultado da rodada anterior (de março), quando ambos apareciam empatados em 46%.
A mesma tendência de empate técnico se repete quando Lula é testado contra outros possíveis candidatos de direita: ele aparece com 46% contra 41% de Zema e 41% de Caiado (com branco/nulo em torno de 12%). Esses números indicam que, embora Lula mantenha uma leve vantagem numérica na maioria dos cenários, a polarização está consolidada e qualquer movimento de última hora pode definir o resultado.
No primeiro turno, a pesquisa revela que Lula recuperou ou consolidou uma vantagem numérica sobre Flávio Bolsonaro. No principal cenário estimulado, o presidente aparece com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 36%. Em outros cenários testados (com variações de nomes), Lula oscila entre 39% e 42%, e Flávio entre 36% e 38% — mantendo a liderança do petista, ainda que dentro ou muito próximo da margem de erro em alguns casos.
Outros pré-candidatos aparecem com percentuais baixos: Romeu Zema e Ronaldo Caiado rondam os 3% a 4%, seguidos por nomes como Renan Santos, Augusto Cury, Cabo Daciolo e Aldo Rebelo, todos com 1% ou 2%. Branco e nulo somam cerca de 6%, e não sabe/não respondeu, 2%.
A pesquisa também registra alta rejeição para os dois líderes: ambos Lula e Flávio aparecem com rejeição em torno de 48%. A aprovação do governo Lula subiu levemente para 46% (contra 45% na rodada anterior), mas a desaprovação segue elevada (49%). Questões como a percepção da economia (muitos eleitores ainda veem piora em relação ao governo anterior) e corrupção continuam sendo pontos sensíveis para o atual presidente.
A nova rodada da Nexus/BTG Pactual mostra um quadro de estabilidade na polarização: Lula lidera no primeiro turno com folga relativa, mas no segundo turno a disputa fica extremamente apertada. Flávio Bolsonaro parece ter encontrado um teto em torno dos 36% a 38% no primeiro turno, enquanto Lula consegue se manter na casa dos 41%. No entanto, a alta rejeição mútua indica que o eleitorado está bastante dividido e que fatores como economia, segurança pública e eventuais fatos novos até outubro podem alterar significativamente esse equilíbrio.
Para os dois lados, o recado é claro: a eleição de 2026 será decidida nos detalhes — na capacidade de mobilizar a própria base, reduzir rejeição e atrair o eleitor indeciso ou que hoje declara voto branco ou nulo. A pesquisa do BTG/Nexus reforça que, a seis meses do pleito, o Brasil segue profundamente dividido entre o projeto petista e o bolsonarista, com pouco espaço aparente para uma terceira via competitiva no momento.
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