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Relator Alessandro Vieira reúne 27 assinaturas e tenta prorrogar CPI do Crime Organizado no Senado

Relator Alessandro Vieira reúne 27 assinaturas e tenta prorrogar CPI do Crime Organizado no Senado

06/04/2026 às 11h49
Por: Redação
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Relator da CPI do crime organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE).
Relator da CPI do crime organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE).

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou ter reunido 27 assinaturas de senadores para prorrogar os trabalhos da comissão por mais 90 dias. O pedido, ainda não formalizado, representa um esforço do parlamentar para ampliar o prazo de investigações que, até o momento, têm se concentrado na atuação de facções criminosas em todo o território nacional.

Instalada há algumas semanas, a CPI do Crime Organizado já ouviu autoridades, especialistas e investigadores, além de ter requisitado documentos e quebrado sigilos bancário e telefônico de suspeitos. O objetivo central da comissão é mapear a atuação de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de investigar possíveis conexões com o crime organizado em outros países da América do Sul.

No entanto, o cronograma inicial — de 120 dias — tem se mostrado insuficiente diante da complexidade e da capilaridade das facções, que atuam em praticamente todos os estados brasileiros e movimentam bilhões de reais com tráfico de drogas, armas, contrabando e lavagem de dinheiro.

O que diz o relator

Em entrevista à imprensa, Alessandro Vieira afirmou que as 27 assinaturas já garantem o quórum mínimo necessário para protocolar o pedido de prorrogação no colegiado. "O crime organizado não respeita prazo de CPI. Estamos diante de um fenômeno complexo, que exige mais tempo de investigação, mais oitivas e mais cruzamento de dados. A CPI precisa continuar", declarou o senador.

Vieira também destacou que a prorrogação é um instrumento regimental previsto e que, em CPIs de grande porte, é comum a extensão dos trabalhos. "Não se investiga o crime organizado em quatro meses. Precisamos de mais 90 dias para aprofundar as apurações e apresentar um relatório final à altura do problema", completou.

Próximos passos

Apesar de reunidas as assinaturas, o pedido de prorrogação ainda precisa passar por dois crivos importantes:

  1. Aprovação do colegiado – Os membros da CPI precisam votar e aprovar a extensão do prazo, o que, segundo Vieira, é praticamente certo diante do número de apoiadores já declarados.

  2. Decisão do presidente do Senado – Mesmo aprovada no âmbito da comissão, a prorrogação depende de homologação pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que já demonstrou ser reticente em relação a investigações de longo prazo.

Nos bastidores, há preocupação de que Alcolumbre possa barrar a prorrogação, alegando questões regimentais ou orçamentárias, o que esvaziaria o trabalho já realizado.

O cenário político

A CPI do Crime Organizado tem sido um dos poucos espaços de investigação no Congresso Nacional com apoio transversal — da oposição à base do governo. No entanto, o avanço das apurações já começa a incomodar setores do Executivo e de governos estaduais, uma vez que as investigações têm revelado supostas omissões e até conivência de agentes públicos com facções criminosas.

Se a prorrogação for negada, a CPI terá de encerrar os trabalhos em poucas semanas, deixando diversas frentes de investigação inacabadas. Por outro lado, se aprovada, a comissão ganhará fôlego para ouvir novas testemunhas, aprofundar quebras de sigilo e produzir um relatório mais robusto.

O que esperar

A movimentação de Alessandro Vieira demonstra que há apetite político para seguir investigando o crime organizado. Resta saber se o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dará sinal verde à prorrogação ou se o pedido será mais um capítulo da tensão entre o poder investigativo do Legislativo e o controle político exercido pela presidência da Casa.

Enquanto isso, o relator segue colhendo assinaturas e articulando com os demais senadores para garantir que a CPI não termine antes da hora. A decisão final, porém, está longe de ser unânime — e os próximos dias serão decisivos para o futuro das investigações.

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