

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se o alvo preferencial de pedidos de impeachment na história da Corte. Com o protocolo de mais uma representação nesta segunda-feira (9) — a décima apenas em 2026 —, o magistrado acumula agora 47 pedidos de afastamento formalmente registrados no Senado Federal .
O mais recente requerimento foi apresentado pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), acompanhado por parlamentares e dirigentes de seu partido. A ofensiva ganhou tração após as revelações do escândalo do Banco Master, que expuseram supostas relações do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na última semana .
O pedido protocolado por Zema fundamenta-se principalmente em duas frentes: as mensagens atribuídas a Vorcaro, que sugeririam interlocução com Moraes sobre temas sensíveis ao banco, e o contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro .
No documento, os signatários afirmam que Moraes teria incorrido em crimes de responsabilidade ao agir de "modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções". A representação também pede o afastamento cautelar do ministro durante a tramitação da análise, sob o argumento de que há "risco iminente de continuar na perpetração dos atos ilícitos" .
Além disso, o texto menciona suspeitas de tráfico de influência, corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. "A potencial prática criminosa evidencia que os recursos auferidos pela senhora Viviane Barci de Moraes são resultado e produto de lavagem ou ocultação de valores", sustenta o pedido .
Os 47 pedidos atuais contra Moraes representam um recorde na história recente do STF. No total, desde 2019, tramitam no Congresso Nacional 65 pedidos de impeachment direcionados ao ministro . O número supera amplamente as representações contra outros magistrados da Corte e reflete a intensa polarização política em torno de sua atuação, especialmente à frente de inquéritos considerados sensíveis por setores da oposição.
O próprio Zema, durante coletiva após protocolar o pedido, classificou a situação como "estarrecedora" e afirmou que determinadas autoridades "se julgam acima da lei, se julgam intocáveis" .
Para os defensores do impeachment, o caso Master escancara um suposto quadro de conflito de interesses. Parlamentares como Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Novo-CE) têm liderado a coleta de assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as condutas de Moraes e de Dias Toffoli no escândalo. Nesta segunda, Vieira anunciou ter reunido 29 assinaturas — duas acima do mínimo necessário — para protocolar a CPI .
A tese central é que o vínculo financeiro do escritório da esposa de Moraes com o Banco Master criaria impedimento automático para qualquer atuação do ministro em temas que envolvam a instituição, sob pena de violação da Lei Orgânica da Magistratura (Loman) .
O ministro, por sua vez, nega todas as acusações. Em nota divulgada na sexta-feira (6), sua assessoria afirmou que a análise técnica dos dados telemáticos de Vorcaro indicou que as mensagens supostamente trocadas em 17 de novembro de 2025 "não correspondem aos contatos telefônicos do ministro nos arquivos apreendidos" . A defesa sustenta que os prints das conversas estavam "vinculados a pastas de outras pessoas" na lista de contatos do banqueiro .
Sobre o contrato do escritório de sua esposa, Moraes alega que não há qualquer irregularidade, uma vez que a atuação profissional de Viviane Barci é independente e não se confunde com suas funções no STF.
Apesar do volume expressivo de representações, o rito processual impõe uma barreira política intransponível até o momento: cabe exclusivamente ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidir se aceita ou arquiva os pedidos . Até agora, todas as 47 representações contra Moraes aguardam na gaveta da Mesa Diretora, sem qualquer definição de mérito.
A situação levou o senador Eduardo Girão a protocolar uma representação no Conselho de Ética contra Alcolumbre, acusando-o de "omissão institucional" por não pautar os pedidos de impeachment e por dificultar a instalação de CPIs relacionadas ao Banco Master .
O Partido Novo anunciou que atuará em frentes simultâneas: além do pedido de impeachment, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) apresentará uma notícia-crime contra Moraes na Procuradoria-Geral da República (PGR) .
O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), também afirmou que protocolizará outro pedido de impeachment ainda esta semana, ampliando ainda mais o estoque de representações a aguardar análise de Alcolumbre .
Enquanto isso, o ministro segue no exercício pleno de suas funções no STF, e a PGR já se manifestou pelo arquivamento de representações anteriores por falta de indícios de crime — posição que permanece válida até eventual surgimento de novos elementos .
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