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Convocados da CPI do Crime Organizado ignoram notificações e não devem depor

Convocados da CPI do Crime Organizado ignoram notificações e não devem depor

02/03/2026 às 10h39
Por: Redação
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(Foto: Montagem)
(Foto: Montagem)

A semana de oitivas na CPI do Crime Organizado sofreu um duro revés antes mesmo de começar. Os principais convocados para depor sobre o caso Banco Master simplesmente ignoraram as notificações da comissão e não devem comparecer ao Congresso.

O banqueiro Daniel Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos, João Mansur, foram oficialmente notificados no último fim de semana, mas nenhum respondeu às intimações, segundo apurou o SBT News.

No caso de Vorcaro, principal alvo da estratégia da comissão, a defesa já havia adiantado que o banqueiro "não possui declarações a prestar sobre crime organizado". A justificativa enterra qualquer expectativa de que ele compareça voluntariamente.

Já Fabiano Zettel conseguiu uma decisão favorável no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro André Mendonça concedeu salvo-conduto ao empresário, desobrigando-o de comparecer à audiência marcada para quarta-feira (4). A decisão se baseia no direito constitucional de não produzir provas contra si mesmo, já que Zettel é investigado no inquérito que apura fraudes no Banco Master.

O cronograma da CPI previa originalmente os depoimentos de Campos Neto e Mansur para terça-feira (3), enquanto Vorcaro e Zettel falariam na quarta. Com as ausências confirmadas, a comissão terá que reformular sua estratégia.

Estratégia para furar blindagem

As convocações fazem parte de um movimento da CPI para contornar as limitações impostas por decisões judiciais recentes. O Supremo barrou a quebra de sigilos de empresas ligadas ao ministro Dias Toffoli e também impediu a oitiva de seus familiares, sob o argumento de que a comissão não comprovou a relação desses alvos com o objeto principal da investigação: o crime organizado.

Com as mãos atadas, os parlamentares apostaram nos depoimentos desta semana para explorar supostas relações entre o Banco Master e a família de Toffoli. A expectativa era obter novas informações sobre operações de lavagem de dinheiro e investimentos ilegais que teriam contado com apoio político.

Agora, sem a presença dos convocados, a CPI do Crime Organizado terá que buscar novos caminhos para avançar nas investigações que miram o que senadores governistas chamam de "esquemas do andar de cima".

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