

Mato Grosso do Sul registra uma alta expressiva nos casos de chikungunya nos primeiros meses de 2026. Dados do boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam 367 confirmações e 1.061 casos prováveis da doença até esta semana — uma média de oito novos diagnósticos por dia desde 1º de janeiro.
O número representa um salto expressivo em relação ao mesmo período do ano passado, quando haviam sido registrados 481 casos prováveis até o início de fevereiro. Em 48 dias, as suspeitas da doença quase triplicaram.
Os municípios com maior incidência são Fátima do Sul, Vicentina, Sete Quedas e Jardim, todos com mais de 300 casos por 100 mil habitantes. No estado, a taxa de incidência geral é de 38,5 casos por 100 mil habitantes, considerada baixa pelos padrões epidemiológicos. Até o momento, sete gestantes testaram positivo para a doença e não houve registro de mortes.
Com o feriado de Carnaval, a SES reforça as medidas de prevenção contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da chikungunya, dengue e zika. O aumento da circulação de pessoas e da geração de resíduos durante a folia acende o alerta para o descarte correto de lixo e a eliminação de recipientes que possam acumular água parada.
“Com a chegada do Carnaval, é importante que a população redobre os cuidados. Pedimos atenção especial para evitar o descarte irregular de lixo e não deixar recipientes com água parada, que podem se tornar criadouros do mosquito. Pequenas atitudes fazem toda a diferença na proteção da saúde de todos”, destacou a gerente de Doenças Endêmicas da SES, Jéssica Klener.
A orientação é simples: jogar embalagens e copos nas lixeiras durante a folia e evitar o acúmulo de água em ruas, praças e terrenos baldios. “Uma simples lata ou copo plástico jogado na rua pode se transformar em um criadouro em poucos dias. Cada recipiente com água parada representa um risco”, explicou Mauro Lúcio Rosário, coordenador de Controle de Vetores da SES.
Para quem passa o feriado em casa, a recomendação é vistoriar quintais e o interior das residências. Calhas, ralos, vasos de plantas, garrafas, baldes, lonas e caixas d’água devem ser verificados regularmente. “Mais de 70% dos focos do mosquito estão em ambientes domiciliares. Quando cada morador faz a sua parte, conseguimos reduzir significativamente os índices de infestação e proteger toda a comunidade”, reforçou a superintendente de Vigilância em Saúde, Larissa Castilho.
A chikungunya é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Seus principais sintomas são febre, dor de cabeça e dores intensas nas articulações. O tratamento é sintomático, com ingestão de líquidos e uso de paracetamol ou dipirona para aliviar a dor. Em hospitais, a hidratação é feita por via intravenosa.
A doença pode evoluir em três fases:
Na fase aguda, é contraindicado o uso de anti-inflamatórios não esteroides, corticosteroides e ácido acetilsalicílico.
Além das medidas básicas, como evitar água parada e usar repelente, ações como o fumacê e o Método Wolbachia (que utiliza bactérias para impedir a reprodução do mosquito) também integram as estratégias de controle no estado. A SES reforça que a participação da população é essencial para conter o avanço das arboviroses.
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