

O despachante David Cloky Hoffaman Chita pode responder a uma quarta ação judicial por fraudes no Detran-MS (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul). O MPMS (Ministério Público de MS) ofereceu a denúncia à Justiça no final do mês passado.
O caso segue o mesmo padrão das outras ações que David já enfrenta: ele teria utilizado servidores do órgão para inserir dados falsos no sistema. Desta vez, as alterações foram feitas em um caminhão para viabilizar a emissão fraudulenta do CRLV (Certificado de Registro de Licenciamento Veicular).
De acordo com a denúncia, David — que está preso — contou com a ajuda de um servidor do Detran-MS para modificar as características do veículo. Um caminhão e um semirreboque tiveram a quantidade de eixos alterada de dois para três, completando um esquema de cobrança de propina para liberação dos veículos.
O caso tramita na 5ª Vara Criminal de Campo Grande e aguarda decisão judicial sobre o aceite da denúncia.
David Chita já é réu em pelo menos três ações relacionadas a esquemas criminosos no Detran-MS. Ele foi alvo das operações 4º Eixo e Miríade, além de responder a inquéritos encaminhados pela Corregedoria do órgão.
As denúncias anteriores envolvem fatos ocorridos em diferentes períodos: 2014, 2019-2020 e 2021-2023. Já a nova acusação se refere a crimes que teriam acontecido em 2012.
Todas as ações têm relação entre si, já que investigam a atuação da mesma organização criminosa voltada a fraudes no sistema do Detran-MS. O esquema atingiu agências do órgão em Rio Negro, Bela Vista, Ponta Porã e Campo Grande.
Chita é apontado como um dos líderes — ou o principal articulador — dos esquemas de remoção indevida de restrições veiculares. Em janeiro deste ano, ele participou de uma audiência como réu ao lado de outros despachantes e da servidora pública Yasmin Osório.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul conduz quatro inquéritos para apurar as fraudes. Em um deles, o nome do deputado federal Beto Pereira (PSDB) aparece como suposto líder da organização criminosa e chefe da corrupção no Detran-MS.
O esquema tinha como peça-chave o despachante David Chita, preso no mês passado após ficar cerca de um ano e meio foragido. Também integravam o grupo Thiago Gonçalves, apontado como “braço direito” do parlamentar, e servidores comissionados ligados a campanhas do PSDB, como Yasmin Osório Cabral, que atualmente usa tornozeleira eletrônica.
As investigações seguem em busca de provas para rastrear o dinheiro desviado e responsabilizar os mentores do esquema. Há indícios de que os recursos abasteceram campanhas eleitorais, o que pode configurar crime de corrupção eleitoral (art. 299 do Código Eleitoral).
Procurado, Beto Pereira não se manifestou sobre as investigações.
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