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Moraes ordena que Receita apure possível quebra de sigilo de ministros do STF, diz jornal

Moraes ordena que Receita apure possível quebra de sigilo de ministros do STF, diz jornal

16/02/2026 às 07h57
Por: Redação
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Ministro Alexandre de Moraes.
Ministro Alexandre de Moraes.

Em meio à crise institucional desencadeada pelo escândalo envolvendo o Banco Master e suas ramificações no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de uma investigação para apurar possíveis vazamentos de dados sigilosos de integrantes da Corte e seus familiares. A apuração, que corre sob segredo de Justiça, foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada por outros veículos de imprensa.

De acordo com as informações divulgadas, a Receita Federal está realizando um rastreamento interno para verificar se houve acesso indevido a informações fiscais de cerca de 100 pessoas, incluindo os dez ministros do STF e seus parentes próximos — pais, filhos, irmãos e cônjuges . O trabalho envolve aproximadamente 8 mil procedimentos de checagem em cerca de 80 sistemas do Fisco, e os relatórios já concluídos estão sendo encaminhados diretamente ao gabinete de Moraes .

A solicitação foi feita pelo ministro há cerca de três semanas, no âmbito do inquérito das Fake News (INQ 4781), aberto em 2019 para investigar ataques virtuais contra integrantes do Supremo e seus familiares . No pedido, Moraes não citou nomes específicos, mas incluiu todos os magistrados da Corte e as pessoas com os graus de parentesco a serem pesquisadas tanto pela Receita Federal quanto pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) .

Contexto da crise

A medida ocorre em um momento de acirramento das tensões entre os Poderes e órgãos públicos, provocado pelos desdobramentos da quebra e liquidação do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro . O escândalo financeiro gerou uma avalanche de desconfianças e suspeitas de vazamentos de informações protegidas por sigilo bancário e fiscal .

O ambiente de crise se agravou na semana passada, quando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório de cerca de 200 páginas com trocas de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. As conversas mencionariam pagamentos à empresa Maridt, da qual o ministro Dias Toffoli é sócio .

Toffoli confirmou, em nota, que “faz parte do quadro societário” da Maridt, empresa que foi uma das donas do resort Tayayá, no Paraná, mas negou ter recebido dinheiro de Vorcaro . O ministro era o relator do processo no STF, mas se afastou do caso na semana passada após reunião fechada com todos os membros da Corte, sob pressão crescente depois que a Folha revelou conexões entre ele, o resort Tayayá e o banco de Daniel Vorcaro .

Reações e desdobramentos

Integrantes do Supremo suspeitam que a Polícia Federal investigou ministros da Corte sem amparo legal, enquanto investigadores do caso consideram que decisões tomadas por Toffoli na relatoria atrapalharam as apurações . A Polícia Federal, no entanto, não participa deste momento da busca por possíveis vazamentos .

Procurada, a Receita Federal afirmou que não se manifesta sobre demandas judiciais para preservar o sigilo das informações. Em nota, o órgão declarou: “Esse processo está sob sigilo de Justiça, só cabe ao STF qualquer autorização de divulgação. A Receita recebe diversas demandas judiciais de informação, não se manifestando sobre elas por conta de sigilo tributário e, muitas vezes, também judicial, como é o caso” . O gabinete de Moraes, por meio da assessoria do Supremo, também não se manifestou .

A abertura do inquérito ocorre ainda em meio aos desdobramentos de reportagens que mencionam contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, no valor de R$ 129 milhões ao longo de três anos . A investigação deve mirar a atuação do Coaf e da Receita Federal, ambos órgãos centrais no combate à lavagem de dinheiro e no monitoramento de movimentações financeiras atípicas .

O episódio expõe a crescente preocupação com a segurança e o sigilo de dados fiscais em meio a investigações sensíveis no cenário político e financeiro brasileiro, em um momento de acirramento das relações entre os Poderes .

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