

A segunda fase da Operação Collusion, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em 21 de janeiro, revelou detalhes de um suposto conluio para fraudar licitações em Mato Grosso do Sul. Conforme relatório do Ministério Público obtido pelo Jornal Midiamax, empresas teriam forjado competitividade em certames públicos, com destaque para um caso de superfaturamento na compra de 500 revistas pela Prefeitura de Terenos, em 2022.
A investigação identificou transferências bancárias que reforçam o vínculo entre os empresários presos. Eli Souza, do Grupo Impacto (em processo de compra pela Dakila Comunicação), recebeu R$ 130 mil de Antônio Henrique Ocampos Ribeiro, titular da Política MS News, entre fevereiro e abril de 2022.
A Política MS News, entretanto, estaria sendo usada como “fachada”. A promotoria apurou que Antônio, de 26 anos, atuava como “laranja” para seu padrasto, Francisco das Chagas Veras Nascimento — também preso na operação —, que controlava de fato o negócio. A razão social da empresa contém as iniciais “FCVN”, referentes a Francisco, e milhares de arquivos do e-mail corporativo estavam associados a ele. Antônio teria registrado a empresa porque o padrasto tinha o nome negativado.
Em nota, a defesa de Antônio confirmou que Francisco administrava a empresa e que o cliente buscava há quatro anos retirar seu nome do quadro sociétario, mas não conseguia devido a passivos financeiros. Alegou ainda que as transações para Eli Souza referiam-se a um empréstimo pessoal vinculado à venda de um imóvel da família, e não a repasses ilícitos.
O esquema teria envolvido as empresas Impacto Mais, Tops do MS (de Leandro de Sousa Ramos, preso) e Política MS News para fraudar a licitação da revista comemorativa dos 69 anos de Terenos, encomendada pelo então prefeito Henrique Budke (PSDB), atualmente afastado por outra operação (Spotless). Ele não é investigado neste caso.
Além de Eli Souza e Antônio Ocampos, foram presos o diretor financeiro da Impacto, Eudmar Roger Nolasco (também funcionário da Dakila Comunicação), Francisco das Chagas e outros empresários.
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