

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) inicia o processo para definir seu comando no próximo biênio, com apenas uma candidatura registrada até o momento: a do atual procurador-geral de Justiça, Romão Avila Milhan Júnior, que busca a recondução ao cargo.
A gestão de Romão, no entanto, tem sido marcada por uma série de controvérsias e críticas relacionadas à administração do órgão. Entre os pontos mais questionados estão os elevados gastos com a estrutura física e logística, como a compra e locação de veículos de luxo e a aquisição de mais de 700 iPhones com recursos públicos.
A transparência salarial também se tornou um tema sensível. Durante os mandatos de Romão e de seu antecessor, Alexandre Magno Benites de Lacerda, houve uma significativa redução no acesso público aos dados remuneratórios dos membros do MPMS. Em 2024 e 2025, o órgão recebeu nota zero em rankings independentes de transparência, como o do DadosJusBR. Atualmente, 19 membros chegaram a receber vencimentos superiores a R$ 350 mil em um único mês, valor bem acima do teto constitucional do funcionalismo público, de R$ 46.366,19.
A administração ainda enfrentou críticas por práticas de pessoal, como a manutenção de cerca de 500 servidores comissionados em detrimento da convocação de aprovados em concursos públicos. Além disso, um dos certames para promotor substituto reprovou todos os 180 candidatos na fase escrita, causando desgaste institucional. Após recursos, apenas nove foram aprovados e convocados.

Outro ponto de tensão foram as denúncias encaminhadas ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), algumas das quais foram arquivadas com o voto do conselheiro Paulo Passos, ex-procurador-geral do MS e ex-vizinho de gabinete de Romão. Uma delas questionava o pagamento de verbas indenizatórias, como auxílio-moradia e auxílio-transporte, para integrantes da alta cúpula do órgão.
Enquanto isso, o antecessor de Romão, Alexandre Magno, aprovado recentemente para uma cadeira no CNMP, foi questionado em sabatina no Senado sobre os supersalários pagos pelo MPMS. Seu sucessor, por sua vez, também precisou se explicar ao Conselho Superior do MPMS sobre a morosidade no andamento de processos de violência doméstica, em um estado que registrou 39 feminicídios apenas em 2025.
A eleição interna está marcada para ocorrer em breve, e Romão, que em 2024 foi eleito com 216 votos em uma chapa única, tenta agora renovar o mandato sob o olhar atento de setores que cobram maior transparência, eficiência e contenção de gastos na instituição.
Mín. 16° Máx. 26°





