

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem sinalizado, por meio de resoluções e pronunciamentos, que espera uma atuação proativa das grandes plataformas digitais (Big Techs) na identificação e remoção de conteúdos considerados ilícitos durante o período eleitoral. A proposta, que será discutida e formalizada nas regras para as próximas eleições, reacende um debate histórico sobre o equilíbrio entre o combate à desinformação e o risco de censura arbitrária.
A visão do TSE é de que as empresas, como Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp), Google (YouTube) e X (antigo Twitter), não devem agir apenas após denúncias ou determinações judiciais. Em vez disso, espera-se que utilizem sistemas automatizados de moderação e inteligência artificial para detectar e barrar previamente publicações que possam configurar fake news, ataques à lisura do processo, discurso de ódio, contas falsas ou campanhas não declaradas.
O argumento central das autoridades eleitorais é a escala e a velocidade com que conteúdos falsos ou prejudiciais se espalham na internet. Para o TSE, uma atuação reativa é insuficiente para proteger a integridade do pleito, especialmente após as experiências das eleições anteriores, onde campanhas de desinformação mostraram ter um impacto significativo no debate público.
O outro lado do debate: o espectro da censura
A exigência de proatividade, no entanto, é vista com forte ressalva por especialistas em liberdade de expressão, advogados e pela própria sociedade civil. Os principais críticos apontam que:
O cenário regulatório e o papel da Justiça Eleitoral
O Brasil já possui uma legislação considerada rigorosa para o período eleitoral, como a Lei das Eleições e a resolução que proíbe a divulgação de fatos sabidamente inverídicos. A novidade está na expectativa de uma ação antes da judicialização. O TSE, por sua vez, defende que a moderação proativa é um dever previsto no Marco Civil da Internet e que as plataformas já realizam essa curadoria de conteúdo diariamente em outras áreas (como violência explícita ou terrorismo).
O grande desafio será estabelecer, de forma clara e democrática, os parâmetros para essa atuação, garantindo transparência nos critérios das plataformas e mecanismos eficazes de recurso para os usuários. O risco, alertam os críticos, é que, na tentativa legítima de combater a desinformação, se instaure um sistema de censura privada e automatizada, onde máquinas e corporações definem os limites do discurso político aceitável, sem o crivo democrático do Poder Judiciário.
A discussão promete ser central na definição das regras para as próximas eleições e coloca em jogo um dos pilares da democracia: a garantia de um debate público livre, robusto e, ao mesmo tempo, honesto.
Mín. 16° Máx. 26°





