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Advogado de MS é Investigado por ser “gravata” do PCC e por fraude em concurso público

Advogado de MS é Investigado por ser “gravata” do PCC e por fraude em concurso público

16/01/2026 às 10h20
Por: Redação
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Agentes durante operação que apreendeu dinheiro de suposto
Agentes durante operação que apreendeu dinheiro de suposto "gravata".

Um advogado de Mato Grosso do Sul está sob investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público estadual por atuar como um dos operadores jurídicos do PCC, grupo conhecido internamente como “Sintonia dos Gravatas”. A mesma pessoa já havia sido denunciada em 2024 por fraudar um concurso público durante a Operação Sommelier.

Segundo as investigações, o advogado atuava como “pombo-correio” da facção, sendo responsável por transportar mensagens ilícitas (“salves”) entre líderes presos e membros em liberdade. Ele também organizava assistência jurídica para integrantes do crime e gerenciava ordens de pelo menos três chefes do PCC.

A ligação do advogado com o crime organizado veio à tona durante a Operação Sommelier, que investigava fraudes em licitações em Itaporã. Em buscas em sua residência, foram encontradas evidências de que ele unia a prestação de serviços jurídicos ilícitos ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.

Além do trabalho jurídico para a facção, o Gaeco apurou que o advogado comandava uma logística de tráfico, transportando semanalmente cocaína de Ponta Porã para o Paraná e Minas Gerais, ocultando a droga em tanques de combustível ou estepes de pneus. Ele utilizava contas falsas no WhatsApp para se comunicar.

Em outubro de 2024, o advogado foi preso em flagrante no interior de São Paulo conduzindo um veículo com 22 kg de pasta-base de cocaína. Por esse crime, foi condenado a mais de seis anos de prisão em regime fechado e cumpre pena em Araraquara (SP).

Uma nova denúncia, que tramita na 3ª Vara Criminal de Campo Grande, também inclui uma mulher (foragida) acusada de administrar as finanças e a venda de drogas, além de outros três integrantes do PCC.

As investigações revelaram que o advogado mantinha comunicação com outros profissionais do direito aliciados pelo PCC. Um dos líderes da facção com quem ele se comunicava esteve implicado em um plano de atentado contra autoridades, conforme um “bilhete terrorista” apreendido.

Vínculo com Fraude em Concurso

A Operação Sommelier, que inicialmente descobriu o vínculo com o PCC, investiga um esquema para desviar recursos públicos por meio do superfaturamento na contratação de uma empresa (Delta) para organizar um concurso público em Douradina. O resultado do certame foi considerado suspeito, com a aprovação em primeiro lugar da então secretária municipal de Saúde, Angela Cristina Marques Rosa, e de parentes de servidores investigados.

Durante as buscas na casa do advogado, o Gaeco apreendeu o gabarito oficial do concurso de Douradina, uma página do certame com anotações manuscritas, documentos da empresa Delta, R$ 64,7 mil em dinheiro vivo e oito celulares.

A OAB/MS informou que já instaurou um procedimento disciplinar contra o advogado, que tramita em segredo de justiça.

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