

Em um intervalo de menos de 24 horas, os focos confirmados de ferrugem asiática da soja em Mato Grosso do Sul aumentaram de 46 para 54, consolidando o estado como um dos principais epicentros da doença no Brasil. Dados atualizados do Consórcio Antiferrugem revelam que aproximadamente 31% de todos os registros nacionais da safra 2025/2026 estão concentrados no território sul-mato-grossense, que agora ocupa a segunda posição no ranking de incidência.
O monitoramento, que abrange o período de junho de 2025 a janeiro de 2026, evidencia uma rápida aceleração da disseminação: após um único caso em novembro, foram contabilizados 21 em dezembro e 24 apenas em janeiro de 2026. Isso significa que o primeiro mês do ano já superou o total de ocorrências de toda a safra anterior (2024/2025), que havia registrado 12 focos.
Os 54 casos estão distribuídos em 18 municípios, com destaque para Naviraí (13 registros), Sete Quedas (8) e Aral Moreira (4). Segundo o consórcio, mantido pela Embrapa e parceiros, os focos estão localizados em áreas comerciais com a cultura em estágios avançados, elevando o risco de impactos diretos na produtividade e na rentabilidade das lavouras.

Cenário Climático como Aliado da Doença – A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é uma das doenças mais devastadoras da sojicultura, podendo causar perdas de até 90% se não for controlada. O coordenador técnico da Aprosoja-MS, Gabriel Balta, explica que as condições climáticas têm sido decisivas para o avanço. “O calor excessivo combinado com alta umidade cria o ambiente ideal para a proliferação do fungo e a disseminação de seus esporos pelo vento, facilitando o surgimento de novos focos”, detalha.
Crescimento Expressivo e Necessidade de Manejo Intensivo
Em comparação nacional, o crescimento em MS é ainda mais expressivo. Enquanto o estado era o terceiro colocado na safra passada, atrás de Paraná (66) e Rio Grande do Sul (26), agora saltou para 54 registros — um aumento de 3,8 vezes. No Brasil, o total de notificações também subiu, chegando a 174 casos, liderados pelo Paraná (99).
Diante deste cenário, especialistas reforçam que a prevenção é fundamental. O manejo integrado deve incluir o rigoroso cumprimento do vazio sanitário — que em MS ocorreu de junho a setembro de 2025 —, a rotação de culturas, a semeadura dentro da janela recomendada, o uso de cultivares tolerantes, o monitoramento constante e a aplicação técnica de fungicidas quando necessário.
A primeira ocorrência da doença no estado foi registrada em 2023, na região de Laguna Carapã. Com a continuidade de condições favoráveis ao fungo, a atenção e a adoção de práticas de controle tornam-se decisivas para proteger a produtividade e a sustentabilidade da sojicultura sul-mato-grossense.
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