

Em meio à pressão de vereadores e entidades da sociedade civil contra o reajuste no IPTU, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), reuniu-se nesta quinta-feira (8) com seus principais apoios políticos para justificar o aumento. A senadora Tereza Cristina (PP) e o deputado estadual Lídio Lopes, marido da prefeita, estiveram ao seu lado no evento, que também marcou a posse de novos secretários.
Adriane Lopes defendeu a medida como necessária para manter os serviços públicos. “Temos escola, unidade de saúde e equipamento de assistência social em qualquer ponto da cidade. Para ter médico no posto, o salário precisa ser pago”, afirmou, acrescentando que “muitas vezes vamos ter de enfrentar medidas impopulares, mas necessárias”.
Lídio Lopes foi mais direto: “Tudo aquilo que você traz, de arrocho, de medidas amargas de uma gestão, torna-se indigesto”. Ele criticou a reação da população, dizendo que “as pessoas não conseguem refletir” sobre a valorização de seus imóveis e focam apenas no aumento do tributo.
Já a senadora Tereza Cristina evitou o tema fiscal, preferindo falar sobre a infraestrutura urbana. “A chuva vai passar. Os buracos vão ser tapados, e não apenas tapados, recapeados”, disse.
Crise e pressão
A prefeita enfrenta resistência desde que os contribuintes começaram a receber os carnês. Apesar de o decreto municipal prever apenas reajuste pela inflação, a aplicação de um novo índice de valorização imobiliária (Perfil Socioeconômico Imobiliário – PSEI) alterou a base de cálculo, gerando aumentos que, em alguns bairros, chegam a 400%.
Diante da pressão, a prefeitura prorrogou o prazo para pagamento à vista com 10% de desconto para 12 de fevereiro. No entanto, Adriane Lopes afirmou que não voltará atrás na decisão de extinguir o desconto de 20%, vigente por mais de duas décadas.
A negativa acirrou o conflito. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) tem pronto um mandado de segurança para suspender a cobrança. A Associação dos Advogados Independentes já ingressou com ação semelhante contra a taxa do lixo, e há pelo menos outras duas ações judiciais movidas por cidadãos contra o aumento do IPTU.
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