

O lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência pelo ex-presidente Jair Bolsonaro gerou um consenso entre as lideranças políticas de centro-direita e centro-esquerda: a avaliação é de que ele não teria força eleitoral para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições deste ano.
Com a saída do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), da disputa direta após a decisão do ex-presidente, as articulações políticas se intensificaram. Nesse contexto, dois nomes de Mato Grosso do Sul voltaram a ganhar destaque nacional: a senadora Tereza Cristina (PP) e a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB).
Segundo a imprensa nacional, enquanto Tereza Cristina é cotada pelo setor do agronegócio como uma possível candidata de centro-direita à Presidência, Simone Tebet é vista pelo campo de centro-esquerda como a virtual candidata a vice-presidente na chapa de reeleição de Lula.
A Busca por uma Alternativa de Centro-Direita
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro não é unânime na centro-direita. O agronegócio, setor-chave, manifestou abertamente suas dúvidas, chegando a encomendar uma pesquisa ao Instituto Paraná Pesquisas que incluía o nome de Tereza Cristina entre os pré-candidatos testados.
Até então vista como vice ideal em uma chapa encabeçada por Tarcísio, a senadora passou a ser considerada uma possível “ponta de lança” para setores que buscam uma alternativa a Flávio Bolsonaro. No entanto, os números ainda são tímidos: em cenários de primeiro turno, sua maior intenção de voto é de 2,5%. Em simulações de segundo turno contra Lula, ela aparece com 30,3%, desempenho inferior ao de Tarcísio (42,5%) e do próprio Flávio (41%).
As lideranças do agro argumentam que seu baixo desempenho nas pesquisas se deve ao fato de ela sempre ter sido projetada para o cargo de vice. Acreditam que, promovida a candidata principal, ela poderia se consolidar como uma “terceira via”, capaz de romper a polarização que marcou 2018 e 2022.
O Valor Estratégico de Tebet para a Centro-Esquerda
No campo governista, a entrada de Flávio Bolsonaro na disputa reforçou os debates sobre a melhor estratégia eleitoral. Nesse cenário, Simone Tebet é vista como uma peça estratégica.
Ganhou força a ideia de reeditar a “frente ampla” de 2022, substituindo o vice-presidente Geraldo Alckmin – que tentará o governo de São Paulo – por Tebet na chapa de Lula. O cálculo eleitoral é claro: em 2022, ela obteve 1,6 milhão de votos no estado de São Paulo, desempenho considerado crucial para a vitória apertada de Lula. Sua atuação como ministra e seu perfil moderado são vistos como capazes de atrair eleitores que tradicionalmente não votam no PT.
A projeção de Tebet cresceu tanto que ela também é cotada para concorrer a uma vaga no Senado por São Paulo. Aliados da ministra afirmam que ela está disposta ao desafio que Lula lhe propor e já admite transferir seu domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo.
Obstáculos Partidários
Os planos envolvendo Tebet, porém, esbarram na cúpula do MDB. O partido apoia a reeleição do governador Tarcísio em São Paulo desde 2022, e sua direção estadual não vê espaço para uma candidatura ao Senado pela sigla em alinhamento com Lula. Diante deste impasse, aliados da ministra admitem a possibilidade de uma mudança de legenda para viabilizar sua candidatura.
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