

Três décadas se passaram, mas duas das maiores figuras políticas de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (MDB) e Zeca do PT, seguem como protagonistas decisivos no cenário eleitoral do estado.
Nestas eleições, a dupla projeta um embate por cargos considerados de menor visibilidade — deputado estadual — que, no entanto, carrega o peso especial de uma rivalidade com mais de vinte anos. A disputa pessoal por quem obterá a maior votação promete acirrar a campanha.
A rixa remonta a 1996, quando Puccinelli venceu Zeca por apenas 411 votos na eleição para a prefeitura de Campo Grande. Até hoje, Zeca contesta o resultado, alegando irregularidades na época. “Até mortos votaram naquela eleição”, costuma afirmar.
Em entrevista em 2023, Puccinelli já antevia um possível novo confronto. “Quando você entra em um campo de futebol, não escolhe adversário. Só espero que não seja o Zeca e, se for, não quero dar outra surra nele”, brincou o ex-governador. Sobre a disputa de 1996, ele provocou: “Éramos ambos a novidade, e o slogan era ‘mudança’. Só que eu representava a mudança certa, ele a errada, e por isso perdeu”.
Na esfera proporcional, Zeca acumula experiência: foi o vereador mais votado de Campo Grande em 2012, deputado federal mais votado em 2014 e, em 2022, elegeu-se deputado estadual como o terceiro na preferência do eleitor. Puccinelli, por sua vez, retorna a uma disputa proporcional após 22 anos — sua última foi em 1994, quando se elegeu deputado federal.
Curiosamente, a candidatura de Puccinelli a deputado estadual gerou desconforto entre correligionários do MDB. Alguns deputados temem perder a vaga para o ex-governador, avaliando que ele não teria votos para ampliar a bancada, mas sim para substituir um dos atuais titulares.
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