

Em meio ao segundo dia de greve dos motoristas de ônibus de Campo Grande, que impacta diretamente a rotina da população, a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou, nesta terça-feira (16), que o município está em dia com todos os repasses ao Consórcio Guaicurus. A chefe do Executivo municipal atribuiu a paralisação, motivada por atraso salarial, à "má gestão" das empresas responsáveis pelo transporte coletivo.
No centro do debate sobre os repasses, documentos oficiais revelam que o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul ainda tem uma pendência de R$ 4,86 milhões para custear o passe estudantil de alunos da rede estadual. Esse valor é parte de um convênio total de R$ 13,47 milhões firmado em julho com o consórcio.
Durante pronunciamento, Adriane Lopes foi enfática ao isentar a gestão municipal de responsabilidade sobre os salários atrasados dos motoristas. “Cadê o dinheiro que a população paga?”, questionou, referindo-se às tarifas dos usuários. Ela reforçou que não há atraso nos pagamentos sob responsabilidade da Prefeitura.
A prefeita contextualizou a greve como um problema nacional de gestão do transporte. “Essa greve está acontecendo nas maiores capitais do país. Hoje, acredito que a má gestão da empresa, do seu diretor e da equipe técnica é o que está ocasionando a falta de pagamento aos trabalhadores”, declarou.
Ela também destacou que o sistema é majoritariamente bancado pelos passageiros: “Não é o poder público municipal que sustenta a empresa, é a população de Campo Grande que paga sua passagem... Não é só responsabilidade do município”.
Com a continuidade da paralisação, a Justiça elevou para R$ 100 mil a multa diária aplicada ao consórcio por descumprir uma decisão que determinava a manutenção dos serviços essenciais.
A pendência de R$ 4,86 milhões do Estado
Documentos publicados no Diário Oficial do Estado detalham a situação financeira dos repasses. Em julho, a Secretaria de Estado de Educação (SED) firmou um convênio para subsidiar o transporte de cerca de 15,3 mil estudantes da rede estadual, com base na tarifa de R$ 6,17.
De acordo com a tabela de pagamentos da SED:
O subsídio geral (Lei Complementar nº 519/522) está praticamente quitado.
O convênio específico do passe estudantil, no entanto, ainda tem R$ 4,86 milhões a serem pagos.
O cronograma estabelece repasses de R$ 6,6 milhões entre julho e agosto de 2025 e de R$ 3,3 milhões entre janeiro e fevereiro de 2026.
O governo estadual informa que a medida segue a legislação e busca garantir o direito à educação e à mobilidade, e que os pagamentos estão ocorrendo conforme o calendário acordado.
Prefeitura afirma ter repassado R$ 35 milhões em 2025
Por parte do município, uma portaria de maio de 2024 limita a subvenção econômica anual ao consórcio a R$ 19,5 milhões, com parcelas mensais de até R$ 1,77 milhão – condicionadas à apresentação de relatórios.
A Prefeitura divulgou que, somente em 2025, já repassou mais de R$ 35 milhões ao Consórcio Guaicurus. Desse total, R$ 19 milhões são referentes a repasses diretos de subvenção, e R$ 16 milhões correspondem ao vale-transporte dos servidores municipais.
Em nota, a administração municipal finalizou: “Mesmo assim, a concessionária, que é uma empresa privada, deixa de honrar compromissos com seus funcionários e causa prejuízos a toda a população”.
A situação coloca em lados opostos o poder público, que apresenta documentos para comprovar a regularidade de seus pagamentos, e a administração do consórcio, que alega crise financeira. Enquanto isso, a população de Campo Grande é quem sofre os impactos da paralisação.
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