

A Justiça determinou a realização de uma perícia contábil para investigar a fundo as finanças do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS). O objetivo é esclarecer supostos desvios de R$ 12.014.362,10 ocorridos entre 2016 e 2019, em um processo que tramita na fase de instrução, com oitivas de testemunhas e exames técnicos.
De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP), o esqueto era comandado pelo então diretor administrativo do hospital, Rehder Batista dos Santos, em conluio com os diretores da empresa fornecedora Cirumed: Aurélio Nogueira Costa, Clarice Alovisi Costa e Claudenir Donizete Comisso. Eles são acusados de simular a compra de produtos hospitalares que nunca foram entregues à unidade de saúde.
O juiz Eduardo Lacerda Trevizan definiu três pontos centrais que a perícia deve esclarecer:
A defesa de um dos empresários, no entanto, busca desafiar os métodos da investigação. Em questionamentos à perícia, os advogados perguntam se a conclusão do MP sobre a falta dos produtos é técnica ou apenas uma “dedução” com base em dados fiscais, e questionam se foi feita uma inspeção física nos estoques. A estratégia da defesa inclui pedir detalhes como prazos de validade e rotatividade dos itens, além de evidenciar pagamentos e recolhimento de tributos, numa tentativa de complexificar e colocar dúvida sobre as provas documentais.
Para reforçar a acusação, o MP listou dez testemunhas, incluindo membros da atual e de antigas gestões do HRMS, como a diretora financeira, gerentes e responsáveis por setores-chave. O promotor Adriano Lobo Viana de Resende sustenta que os empresários emitiam notas fiscais falsas e que Rehder, atualmente preso por outras acusações de desvio no mesmo hospital, as validava falsamente no sistema.
Este é um entre ao menos quatro processos que tramitam no Tribunal de Justiça de MS envolvendo Rehder e o ex-diretor financeiro Aldenir, com suspeita de desvios superiores a R$ 20 milhões em quatro anos. De acordo com as ações, o grupo insería dados de compras falsas no sistema, as empresas recebiam o dinheiro e repartiam os valores com os servidores. A Operação Parasita, que prendeu um dos empresários, chegou a interceptar conversas entre ele e Rehder, reforçando as evidências do esquema.
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