

A medida liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que restringe denúncias de impeachment contra magistrados à Procuradoria-Geral da República (PGR) e altera o quórum de votação no Senado, gerou reações opostas entre os parlamentares federais de Mato Grosso do Sul.
A ala conservadora da bancada rejeitou a decisão. O deputado Rodolfo Nogueira (PL) a classificou como uma “manobra de autoproteção” do ministro, antecipando uma possível mudança no Senado em 2026. Para ele, concentrar a prerrogativa na PGR – cujo titular é indicado pelo presidente da República – equivale a “cancelar o direito de fiscalização democrática” e dar “carta branca” aos ministros.
Na mesma linha, o deputado Luiz Ovando (PP) manifestou “profunda preocupação”, argumentando que a decisão interfere nas prerrogativas do Congresso e cria uma dependência indevida de um órgão unipessoal, ferindo a separação dos Poderes. “O Brasil precisa de harmonia, nunca de submissão”, afirmou.
O deputado Marcos Pollon (PL) foi mais contundente, definindo o episódio como “lamentável” e um exemplo da “ditadura do judiciário”. Ele criticou a restrição ao direito constitucional de qualquer cidadão protocolar um impeachment.
Do outro lado, parlamentares avaliam a decisão como necessária para proteger a independência do Judiciário. O deputado Dagoberto Nogueira (PSDB) considerou a liminar justa, argumentando que a Corte não pode ficar “à mercê da classe política” e sob risco de retaliação por parte de políticos condenados.
O deputado Vander Loubet (PT) reforçou que a medida visa garantir a independência do STF frente a “ameaças de impeachment” e “tentativas de intimidação” repetidas por setores da extrema-direita.
O senador Nelsinho Trad (PSD) defendeu que a competência para legislar é exclusiva do Parlamento. Reconhecendo que a Lei do Impeachment (1.079/1950) precisa ser revista, ele informou que tramita no Senado a coleta de assinaturas para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com esse objetivo, da qual será signatário.
Entenda a decisão
A liminar de Gilmar Mendes, concedida nesta quarta-feira (3), atende a pedidos do partido Solidariedade e da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). As principais alterações são:
Na fundamentação, o ministro argumentou que a regra anterior permitia a proliferação de acusações por motivação político-partidária, sem rigor técnico, e que a atuação da PGR serve como um filtro processual necessário. A decisão ainda será submetida ao plenário do STF.
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