

O ex-chefe da Divisão de Compras e Licitação da prefeitura de Sidrolândia, Marcus Vinicius Rossettini de Andrade Costa, que é réu por supostamente integrar um esquema de corrupção, entrou com um pedido junto à Justiça de Mato Grosso do Sul para ter a tornozeleira eletrônica removida e assim poder trabalhar em Campo Grande.
Rossettini é um dos 23 réus da Operação Tromper, que desmantelou um milionário esquema de fraudes em licitações supostamente liderado pelo ex-secretário municipal de Fazenda, Claudinho Serra. Em sua petição, a defesa do ex-gestor argumenta que ele tem enfrentado dificuldades para se recolocar no mercado de trabalho. O pedido solicita não apenas o fim do monitoramento eletrônico, mas também que seu horário de recolhimento noturno seja alterado das 22h para a meia-noite. Isso lhe permitiria trabalhar em um supermercado na área central, já que sua jornada terminaria às 22h e o deslocamento de ônibus até sua residência, no Jardim Itamaracá, leva cerca de 1h10min.
No entanto, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) não se convenceu com os argumentos iniciais e requereu que a defesa apresente documentos que comprovem efetivamente o vínculo empregatício, como contrato de trabalho ou registro de ponto. O processo, que também inclui outro pedido do ex-chefe para comparecimento mensal ao fórum, aguarda análise do juiz da Vara Criminal de Sidrolândia.
O caso do ex-gestor está inserido no contexto da Operação Tromper, iniciada em maio de 2023, que investiga um extenso esquema de corrupção na Prefeitura de Sidrolândia. As investigações, que incluíram delação premiada, apontam para fraudes em diversos setores da administração, como o Cemitério Municipal e a Fundação Indígena, com pagamento de “mesadas” que variavam de 10% a 30% do valor dos contratos. O esquema, que já movimentou milhões de reais em licitações fraudulentas, mostrou-se resiliente, com novas ramificações sendo descobertas mesmo após as fases iniciais da operação. A quarta fase da investigação, em junho de 2025, resultou na nova prisão do ex-secretário Claudinho Serra, que posteriormente conseguiu sua soltura por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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