

A dominação do Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre a Rota Caipira – um dos principais corredores do tráfico de drogas – consolidou o poder da facção em Mato Grosso do Sul e deslocou seu rival, o Comando Vermelho (CV), para a região amazônica. Esse movimento, segundo especialistas, acende um alerta para uma iminente crise entre facções no Norte do país.
O alerta foi feito por Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.
De acordo com Lima, a disputa por esse corredor logístico foi decisiva. A hegemonia do PCC no estado foi consolidada após o assassinato do narcotraficante Jorge Rafaat Toumani em 2016, que era uma peça-chave no tráfico na fronteira. Com a perda desse território, o Comando Vermelho migrou forçadamente para a Amazônia em busca de novas rotas de abastecimento.
Na nova região, o CV inicialmente se associou à Facção do Norte (FDN), mas depois a absorveu através de um conflito violento. O especialista alerta que essa absorção sangrenta pode gerar uma nova onda de violência. “Provavelmente nós teremos um problema em breve, de um confronto mais forte”, afirmou.
Diferenças Estratégicas e o Comando a Partir do Exterior
Enquanto o Comando Vermelho atua como uma rede colaborativa e descentralizada, o PCC adota um modelo hierárquico e empresarial, o que facilita seu controle sobre territórios. Atualmente, o PCC mantém hegemonia em sete estados, incluindo Mato Grosso do Sul.
Além disso, a cúpula da facção opera com impunidade a partir da fronteira com a Bolívia. De acordo com o promotor Lincoln Gakiya, que também depôs na CPI, líderes como “Forjado” e “Chacal” comandam as operações criminosas no Brasil via smartphones, vivendo em condomínios de luxo.
Os Desafios do Controle Territorial
Autoridades destacaram a enorme dificuldade em monitorar as extensas fronteiras brasileiras. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, classificou como “utópico” o controle total dos 17 mil km de fronteira do país.
Para enfrentar o crime organizado, especialistas e autoridades enfatizaram a necessidade urgente de maior investimento em inteligência, recursos e cooperação integrada entre as forças de segurança nacionais e internacionais, visto que se trata de um problema que impacta toda a sociedade.
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