

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou o afastamento do vereador Arnaldo Glaglau (PSD) de seu cargo. A decisão, que atende a um pedido do Ministério Público Estadual (MPMS), é decorrente de suas investigações por integrar um suposto esquema de corrupção na prefeitura de Terenos, revelado pela Operação Spotless em setembro de 2025. O parlamentar foi condenado ao uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias.
O escândalo já havia culminado no afastamento do prefeito Henrique Budke (PSDB), apontado como líder da organização criminosa. A medida de afastamento de Budke, que inicialmente era voluntária, foi posteriormente referendada pela Justiça.
Além do vereador, os empresários Rinaldo Córdoba de Oliveira e Rogério Luís Ribeiro também receberam a pena de monitoramento eletrônico. O trio está proibido de manter contato com os demais investigados e de firmar novos contratos com o Poder Público.
A Operação Spotless foi deflagrada em 9 de setembro de 2025 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção). A ação, que contou com o apoio da Polícia Militar, cumpriu 16 mandados de prisão e 59 de busca e apreensão em três cidades.
As investigações, que evoluíram a partir da Operação Velatus (agosto de 2024), revelaram uma organização criminosa com núcleos de atuação bem definidos dentro da prefeitura. O grupo, chefiado pelo prefeito Budke, fraudava licitações por meio de editais elaborados “sob medida” para direcionar contratos a empresas específicas, simulando uma competição legítima. Estima-se que somente no último ano as fraudes tenham superado R$ 15 milhões.
O esquema também incluía o pagamento de propina a servidores públicos que atestavam falsamente o recebimento de produtos e serviços, agilizando os pagamentos dos contratos fraudulentos.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) formalizou uma denúncia contra o prefeito afastado Henrique Budke e outras 25 pessoas, incluindo o vereador Arnaldo Glaglau, empresários, um ex-secretário municipal e servidores públicos.
Segundo as investigações, licitações de obras públicas eram direcionadas e as empresas envolvidas se revezavam nos serviços, assegurando que o grupo se beneficiasse do esquema, que incluía pagamento de propina ao prefeito e a outros acusados.
Em declaração, o procurador-geral de Justiça, Romão Ávila Milhan Júnior, ressaltou: “O que se apurou na investigação é uma organização criminosa instalada no Poder Executivo do Município de Terenos, atuando há anos para fraudar licitações e saquear os cofres públicos, um verdadeiro balcão de negócios comandado pelo prefeito municipal”.
Observação: Apesar de ter sido preso, Budke conseguiu um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e foi solto em setembro de 2025, mas permanece afastado do cargo.
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