

Em um dos maiores golpes financeiros recentes do país, o Banco Central (BC) determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A decisão veio acompanhada de uma operação da Polícia Federal (PF) que prendeu, nesta quarta-feira (19), o controlador da instituição, Daniel Vorcaro. A investigação apura uma suposta fraude de R$ 12 bilhões envolvendo a emissão de títulos falsos.
A ação, batizada de "Poeira de Ouro", foi deflagrada para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo a PF, o esquema fraudulento era orquestrado pela cúpula do banco, com o objetivo principal de obter financiamentos ilegais usando como garantia títulos de crédito que não existiam.
As investigações, que contaram com a cooperação do Banco Central, revelaram que o grupo emitiu Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e outros títulos falsos no valor total de R$ 12 bilhões. Esses papéis, sem lastro real, eram então utilizados como garantia em operações de crédito com outras instituições financeiras para levantar recursos vultosos.
A fraude permitiu que o Banco Master mantivesse aparência de solidez e captasse valores que, de outra forma, não teriam acesso. A suspeita é de que o dinheiro fosse usado para cobrir rombos anteriores, financiar o estilo de vida luxuoso dos controladores e aplicar em outros empreendimentos.
Decisão do Banco Central
Em comunicado oficial, o BC justificou a liquidação do Master citando a constatação de "grave situação de iliquidez e insolvência" do banco, além de "irregularidades graves" na sua gestão. A medida visa proteger os credores e o sistema financeiro nacional, isolando a instituição para que seus ativos reais sejam apurados e vendidos para quitar as dívidas, de forma ordenada.
O Banco Central garante que os correntistas pessoa física, assim como os recursos do FGTS e do PIS/PASEP, estão protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição.
Os Crimes e as Penas
Daniel Vorcaro e os outros envolvidos são investigados pelos crimes de:
Fraude ao sistema financeiro
Lavagem de dinheiro
Falsificação de documento particular
Formação de quadrilha
As penas para esses crimes, somadas, podem ultrapassar 30 anos de reclusão.
A prisão de Vorcaro e a liquidação de seu banco marcam uma ação contundente das autoridades contra um esquema que ameaçou a estabilidade do sistema financeiro e causou prejuízos incalculáveis a investidores e instituições credoras.
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