

Em uma manobra que contorna a necessidade de aprovação imediata do Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou uma Medida Provisória (MP) que amplia significativamente o poder do governo federal na fiscalização e regulação de conteúdos na internet. A ação, batizada por aliados de “ECA Digital”, reacende o debate sobre liberdade de expressão, governança da rede e os limites da atuação estatal no ambiente online.
A MP, que entra em vigor imediatamente mas depende do aval do Legislativo para se tornar lei definitiva, concentra novas atribuições no Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Tradicionalmente um espaço multissetorial com participação de governo, setor privado, academia e terceiro setor, o comitê vê sua esfera de influência expandida.
As principais alterações incluem:
Justificativa do Governo: Combate às “Fake News” e Proteção
O Palácio do Planalto defende a medida como um passo necessário para modernizar a legislação e combater crimes digitais. A justificativa central é:
Críticas e Preocupações: Autoritarismo e Censura
A oposição e especialistas em direito digital levantam sérias objeções à medida:
A edição do “ECA Digital” via Medida Provisória coloca o Brasil em um cruzamento delicado entre a regulação necessária da internet e a defesa das liberdades civis. Enquanto o governo celebra a medida como uma vitória pela segurança digital, setores da sociedade e do Congresso a enxergam como um ato de centralização de poder e um potencial instrumento de controle da narrativa. O desfecho desse embate dependerá da reação do Legislativo e da sociedade, definindo os rumos da governança da internet no país.
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