

Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que facções criminosas de grande poderio, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), estão agora à frente do lucrativo contrabando de cigarros paraguaios na fronteira de Mato Grosso do Sul. A atividade, antes dominada por quadrilhas especializadas, tornou-se um alvo estratégico para esses grupos.
De acordo com a PF, o alto lucro e os riscos menores comparados ao tráfico de drogas tornaram o contrabando de cigarros uma alternativa atraente. “A pena é bem mais branda e a lucratividade é bastante alta”, explicou a corporação. Mato Grosso do Sul, com sua extensa fronteira com o Paraguai — o principal produtor de cigarros ilegais —, é uma rota geograficamente estratégica para esse crime.
A sofisticação do crime foi evidenciada em uma investigação da PF que desmantelou um grupo dedicado ao contrabando. A quadrilha, que atuava há pelo menos seis anos, possuía uma estrutura logística robusta, incluindo uma frota de veículos que transportava a mercadoria de Pedro Juan Caballero (PY) para Dourados (MS), com destino final na região de Presidente Prudente (SP). Estima-se que o grupo tenha movimentado aproximadamente R$ 600 milhões nesse período.
A investigação começou após a Polícia Militar apreender três de doze veículos que tentaram furar um bloqueio. Em cada um deles, foram encontrados mais de 2 mil pacotes de cigarros. A PF calcula que o grupo era formado por pelo menos 20 integrantes.
Guerra por domínio na fronteira
Mato Grosso do Sul é uma região de predominância do PCC, especialmente em cidades como Ponta Porã. No entanto, o Comando Vermelho fortaleceu sua presença no norte do estado e em alguns municípios fronteiriços, como Coronel Sapucaia.
Estas facções estão em conflito aberto pelo controle de rotas de drogas, armas e, agora, do contrabando de cigarros. Esta guerra territorial tem impacto direto na violência: dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que 2 a cada 10 assassinatos no estado em 2023 ocorreram em cidades da fronteira.
O embate também se reflete dentro do sistema prisional, onde há registros de que o CV vem estabelecendo uma cadeia de comando desde pelo menos 2022, indicando sua intenção de consolidar poder na região.
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